História: O vulto!

O vulto.

 

Autor. Pragassa.

 

Nota do autor.

A vida e sua participação nas diversas formas de nos relacionarmos, leva-nos a por vezes cometermos actos que incutidos por sentimentos menos próprios para com osdemais, querermos por nós mesmos fazermos nossa vingança pessoal. Todos nós estamos sujeitos por alguma razão, tornarmo-nos homens ou mulheres frios e calculistas, só interessando a sede de vingança. Os crimes mais hediondos são praticados por pessoas que para a sociedade, e até se efectivarem, são encarados como cidadãos normais, não se prognosticando nada de ruim vindo deles.

Mas o certo, e como diz o povo, é no melhor pano que cai a nódoa. Somos todos sujeitáveis a práticas sórdidas, mesmo que a partida as desaprovemos.  

 

 

 

 

Correram os doispela gar,  a sirene do carro da polícia era bem audível.  O barulho dos pneus chiaram fazendo todos virar a cabeça no sentido do carro policial. Apressadamente saíram cinco policiais que rapidamente espalharam-se pela zona.  Por ali! Não, por ali, gritavam os passageiros do comboio. Os jovens delinquentes como ratos acossados rapidamente se escafederam entre os corredores mais ou menos degradados da estação, escondendo-se em lugar  que julgavam seguro. Entretanto, o comboio e seus passageiros aguardavam o fim da perseguição, já se fazia tarde e logo pela matina haviam que se levantar cedo.    É sempre a mesma coisa! Os ladrões são mais bem-preparados que os guardas. Gordos e cheios de vinho! Os comentários menos abonatórios já se ouviam entre a população.   Nada chefe. Chefe, nada. Como assim? Acho que já cá não estão, disseram os comandados de Paulo.Vasculharam tudo bem vasculhado?Paulo estava aparentemente calmo, contudo, ele mais que ninguém queria capturar os larápios.  Estava mais que na hora de lhes dar uma lição, uma que nunca mais se esqueceriam!Ouviu-se por fim um estridente assobio, segnificava que e, mais uma vez os bandidos haviam sido mais ágeis que a guarda. Ora, a mulher que tinha sido violentamente assaltada, insurgiu-se contra os agentes.  O povo que pacientemente assistia o desenrolar da acção começou  a entrar no comboio. Alguns resignados abanavam  a cabeça. Outros lamentavam-se por seus descontos servirem para pagar ordenados a policiais tão mal preparados. Paulo conhecia esses comentários. Sabia melhor que ninguém a imagem que as forças da ordem   tem entre a população. O maquinista chegou-se perto e perguntou: Senhor graduado, podemos seguir?Paulo olhou-o de ar cansado. Eram visíveis as olheiras, sombras escuras rodeavam seus olhos. Mais um pouco. Mais um pouco, disse-lhe. Seguidamente virou-se para a pobre vítima e perguntou-lhe: Quer fazer queixa? Não, não, gritou-lhe a mulher encolerizada. Como queixa? Amanhã se não aparecer no trabalho, despedem-me!  Diga-me uma coisa, retrocou Paulo pacientemente: E que culpa eu tenho disso?Se fosse mais competente, mais hábil játinha recuperado minha carteira! Repetiu Paulo enchendo o peito de ar: Quer fazer queixa?Vá para o caralho com a queixa! Ouviram-se gargalhadas entre as poucas pessoas que ainda restavam na plataforma.  Tudo bem, eu vou, respondeu-lhe Paulo virando-lhe as costas. O maquinista foi auterizado a  prosseguir.Os restantes guardas aguardavam ordens. Todos para dentro, escutou-se.  Escondidos no vão do elevador avariado, os larápios sorriram, mais uma vez tinham enganado os policiais. A certa distância, os deliquentes  dividiram as poucas moedas da vítima.

Merda, nem dá para um charro. Deixa lá, amanhã será melhor. Comentou o outrocolocando alguns cêntimos ao bolso. Quanto a mala, essa foi posta no lixo. Paulo  manteve-se mudo até chegar a esquadra. Seus suberdinados conheciam-o bem. Deve estar a ferver. Deve ter os bofos em chama. Enquanto cochichavam a seu respeito, Paulo, esse preparava-se para contrariar a lei .  No entanto, tinha de ter a certeza que seus homens estavam a 100%com ele. Embora já tivesse aflorado o assunto, ainda observou semblantes reticentes e,não era seu intuito trabalhar com alguém desagradado.   Todos a saula do chefe, ouviu-se na pequena sala de estar. Carlos Trindade, Fábio Lucas, José Encarnação,e o condutor e mais idoso, Manuel Casquinha,  todos obedeceram.  No interior da bagunçada saleta, foi-lhes proposto a formação duma espécie de quadrilha, o porpósito, limpar a corja que vinha a se multiplicar. Desta vez, os rostos transpareciam  firmeza, convicção. Não teremos de o fazer todos os dias, até porque daria muito nas vistas, disse-lhes Paulo colocando-se entre eles.Temos de ser uma verdadeira família, uma organização secreta. Não podemos vacilar! Se alguém se chibar, tudo irá água abaixo!Morremos pela causa, chefe, disse-lhe Carlos fechando os punhos. Vamos limpar a merda que abunda por aí. Mandá-los todos  para os quintos dos infernos! Bem, estou verdadeiramente emocionado, disse-lhes Paulo de voz embargada. Se já me sentia orgulhoso, agora quero que saibam que vos considero como família.Então, a falar a uma só voz e  com um objectivo comum,ficou delineado  que  o exército entraria em acção no dia seguinte.Entretanto havia muito para fazer, alguns terminaram o turno, outros tinham começado , como  Fábio e Carlos.

Os restantes, foram para suas casas. Só dois na realidade tinham alguém que os esperasse.  Manuel e Paulo, eram os únicos a ter família digna desse nome.  Manuel, esse vivia com sua idosa mãe de 83 anos, nunca soubera bem o que se chamava, ou, o que quer dizer a palavra família.Seu pai, contado por sua  mãe, dera-lhe com os pés , ainda ela estando  grávida.Após seu nascimento, dona Lurdes,  nunca mais que ele se lembre, quis saber de homem. Agora com 55 anos, e algumas relações fracassadas, Manuel sente-se velho de mais para recomeçar tudo de novo. O projeto de seu chefe admirável, vem lhe ocupando os pensamentos. Acredita em sua ambição que a equipe que ele diz gostar como sendo sua família,vá dar caça a todos os bandidos que atormentam a  população dos bairros que eles teem como obrigação de proteger. Estacionou seu carro junto de seu prédio, saindo para a noite quase madrugada.Levantou a pala de seu boné, olhando para o terceiro andar procurando luz nas janelas de seu apartamento. Por certo já dorme. Pensou.Na maioria das vezes tem de ser o próprio a disligar a tv, sua mãe papa todas as novelas e seris. Com rosto marcado pelo avançar dos anos, ainda é mulher activa, uma saúde de ferro.Nada é feito por terceiros. Não eram seus 83 anos que a  proibiam de executar todas as tarefas domésticas.Fazia-as e fazia-as muito bem!Manuel estava cansado de lhe pedir que não se esforçasse, contudo era completamente ignorado.  Então desistiu. Se se sentia realmente feliz assim, quem seria ele para lhe vedar essa felicidade? Limita-se a trazer dinheiro para casa, embora a senhora sua mãe tenha uma reforma e lhe diga que não precisa do seu dinheiro.O apartamento foi adquerido após o banco lhe imprestar a verba. Segundo seus cálculos pouco mais de cinco anos faltarão para dizer que a casa é sua!Manuel não é homem de se queixar. O que ganha vai dando e isso é-lhe o suficiente.Sente-se feliz. É feliz a sua maneira. Alguns euros no bolso, umas idas ao estádio da Luz para assistir o jogo do glorioso, uns namoritos de vez enquanto,  umas cervejolas bem fresquinhas, bem, o que mais quer um homem?  Ficou por momentos olhando as estrelas. E de mãos sobre sua avantajada barriga. Não sabia porquê, mas algo lhe dizia que iria chover. Devo estar a ficar velho, murmurou passando a mão no seu farfalhudo bigode.Ainda ontem a  temperatura atingira os 37 graus celsos! Uma e meia da manhã. Manuel deslocou-se lentamente em direcção as escadas por detrás do prédio e que davam acesso ao bar dum dos seus melhores amigos.  Situado na base dum declive, capricho da natureza e que ohomem sobre aproveitar,o restaurante bar,era o seu predilecto. Como sempre a passagem era feita as escuras, todavia rapidamente percorrida por Manuel. No finalzinho das mesmas, algo desperta sua atenção.Intrigado estaca e tenta indagar.  Alguém estava atrás  a escaços centímetros! Como conhecia  a maioria das pessoas das redondezas, tentou abstrair-se, porém não o consiguiu.Mas que raio, exclamou virando-se. Foi uma fracção de segundos.  O som  abafado, seguido dum clarão, eluminou a quase secreta passagem. Manuel tombou  morto.

 

Paulo, subia no carro a íngreme estrada que o levaria a seu  domicílio. Tudo estava aparentemente calmo. As árvores comandadas pelo vento, que de maneira subtil as fazia abanar ao som de sua brisa, curvavam-se como a lhe prestar obediência. Acabara de fazer uma chamada para Fábio que ficou a chefiar a esquadra na sua ausência, e tudo estava como ele gosta,em conciliação com aquilo que são seus desígnios. Ao chegar perto de  sua casa, vê um carro de bombeirospassar por ele a alta velocidade com suas luzes piscando ferneticamente.  Acelera instintivamente. A adrenalina estava ao máximo. Eles iam na direcção de sua casa! Cerrou os dentes e acelerou ainda mais.  Seu coração galopava qual manada de cavalos.O ar escaciava nos pulmões.Os gemidos saíam, amordaçados gritos de pavor emergiam das entranhas do seu ser.  Seu pressentimento estava certo, sua casa estava a arder!O corrupio  de bombeiros dum lado para outro, dezenas de luzes piscando, gritos estridentes pedindo mais água, deram-lhe uma sinistra perspectiva do que o aguardava. Ivo, Marta! Precipitando-se decontra a multidão, gritando o nome de sua mulher e de seu filho, Paulo foi barrado por alguns colegas de profissão antes que  se lançasse fogo dentro. Ivo, Marta! Ivo, Marta! A ambulância estava de protidãocaso ouvesse vítmas ou algum bombeiro se ferisse durante  o combate.Foi-lhe  admnistrado um potente calmante, fazendo com que Paulo ficasse a par da tragédia   horas depois.Entretanto, seus gritos de angústia não deixaram ninguém indeferente. Eram gritos dduma dor profunda,  como ele também estivesse entre as chamas.

 

Boas camarada, disse José a entrar na oficina de seu irmão, que mais uma noite fazia serão a fim de aprontar mais uma moto, colocada  para concerto. Vivendo ao lado da oficina, José diversas vezes passa algumas horas com seu mano mais novo, ajudando-o a apressar o serviço. Solteirão por opção, José, quando não está na esquadra, passa muitas horas com seu mano, ajudando-o  num dos seus maiores prazeres. As motos, a perdição  dos dois. José mudou de vida, já Igor , não renunciou ao sonho que ambos tinham. Acabando ele por ficar sozinho, depois de seu irmão ter ingressado na polícia. Quando jovens, tanto ele como seu irmão, correram no campeonato nacional. O motociclismo, ocupavam-nos o tempo por inteiro.  

 

Só agora mano, questionou-lhe  Igor.  Temos de dar caça aos bandidos, não é? Vocês metem um na cadeia, aparecem meia dúzia para o substituir! Onde te foste meter, maninho, disse-lhe Ygor atarefado junto duma moto. Não tens saudades duma destas, perguntou-lhe Ygor. Era uma moto de pista, onda CBR600 centímetros cúbicos.   Se tenho, murmurou José passando por ele e dirigindo-se ao figorifico nos fundos da pequena oficina.

Depois de entregar uma a seu mano, foram os dois até a entrada da porta, como sempre fazem quando bebem uma cerveja.  Colocando  a conversa em dia,Em juntos, como sempre, falam de motos, claro, mas também do passado. Igor sabe de todos os planos de seu irmão, que não o deixa de o informar de tudo em sua vida. Ele faz o mesmo, não existindo segredos entre os dois. frente a oficina,existia uma antiga padaria.  Depois de falir, depois do dono ter entregado a alma ao criador,  os herdeiros trataram de torrar o dinheiro que havia amealhado. Sendo assim, não há negócio que resista.Os filhos, criados com o fruto   do trabalho de dezenas de homens que dia e de noite laboravam sem parar, não queriam sujar as mãos na massa.  Depois de algumas tentativas frustradas, por fim abandonaram o velho edifício a sua sorte.Atualmente era ninho de drogados, bicharada, toda a espécie de imundisse.

Amanhã estou de folga. Comentou José,levando a lata a boca. Isso é que é sorte. Replicou Igor acendendo um cigarro. José, repara que no interior da abandonada padaria,  numa das janelas, uma imagem se realçava.  Parecia-lhe a imagem dum homem olhando-os. Que se passa. Perguntou Igor, quando apercebeu-se que seu irmão não tirava os olhos da fachada.  Porra. Disse José dando a lata ainda quase cheia a seu irmão, que entretanto bebera a sua. Deve ser malta da passa. Disse-lhe Igor, olhando para seu mano que atravessava a estrada.  A fim de se certificar do que vira, Manda seu bomé a Igorque apara-o com agilidade , e prossegue firme.Nem havia chegado ao outro lado, Igor ouviu um estampido, parecendo um tiro. Seu irmão mais velho caiu de imediato no asfalto  inanimado. Correndo, logo agachou-se   junto do corpo, constatando que José levara um tiro na cabeça, pois o sangue jorrava abundantemente .Zé, por favor não me deixes! Igor, tentava reanimarseu irmão, mas José já havia partido.  Com a cabeça de seu irmão segura nas mãos, apercebe-se que o sangue vinha duma ferida feita junto da orelha direita.Já a manhã ia avançada, quando Igor saiu do hospital. Morto por dentro, deitara-se sem saber muito bem o que pensar, nem como agir. Seu familiar que lhe restava, e o seu maior amigo, fora morto .O desgosto, tomou conta de Igor. Nos seus pensamentos, a oficina, e  a falta que seu mano lhe iria fazer,cravava-se como facas em seu coração. Não morrera nem fazia um dia, e as saudades de José já lhe batiam forte nopeito.

 

Os dois homens que tinham ficado de serviço, confraternizavam, como sempre o faziam. Uma sueca e uns cafés, ocupavam-lhes o tempo. As ocorrências hoje, por incrível que lhes parecesse,  não surgiam.  A sua pequena esquadra, servia essencialmente para reportarem, ou pedirem esforços as super-esquadras, que tem mais agentes disponíveis.Por vezes, como ocorrera na estação do comboio, saem em missões. Fazem sobretudo, o policiamento dos bairros mais problemáticos.Suas atenções subitamente viraram-se para a tv. O canal de informação, informava do fogo em Sintra, seguido pelas duas mortes  ocorridas durante a noite. Abalados com as notícias, resolveram telefonar as esquadras responsáveis das zonas relatadas. Surpreendidos por dois homens armados até aos dentes, os policiais foram metralhados até a morte. Não houve tempo para um ai. Tão depressa surgiram, como tão depressa desapareceram, deixando atrás de si um rasto de sangue enocente.

 

Sandra, despertava para mais um dia, ao som do relógioque fora de imediato desligado com uma pancada que ela lhe dera, quando tirou uma das mãosdos quentes lençóis. Era uma segunda feira, e hoje ela teria  um dia agreste pela frente. Sua pastelaria teria de ser aberta por si, pois seu único empregado pedira-lhe folga. Não conseguiu declinar o pedido dum recente pai que desejava ver pela primeira vez seu rebendo nascido a noite transacta. Ele só não o viu, porque sentira-se mal, acabando  por ir para casa junto com seu pai, por motivo de desmaio ao quanto da espera do nascimento.Espera que desta vez, ele se mostre o forte suficiente. Pensa Sandra abrindo os braços,  enquanto Já de pé,aguarda  que a água aqeça para tomar seu duche matinal. 6 horas da manhã. Tem de se apressar, pois o homem que fornece sua pasteleria, as 7  aparece sempre sem nunca se atrazar. Seu telemóvel quando o ligou antes de se encaminhar ao banheiro fervilhava de mensagens, comunicando que ela esquecera-se de o ligar  a noite passada. Não fora bem isso, mas sabia que seu ex, não gostou do pontapé dado por si, quando o apanhou literalmente com a boca na botija com sua agora também ex amiga. Ele ultimamente vem a importunar com chamadas menos próprias e consecutivas. Não se pode esqecer de hoje mudar de cartão.  Em frente ao espelho, Sandra olha-se, constatando o aparecimento  de algumas olheiras. Desembaraça seu longo cabelo louro , escovando-o  com muito cuidado. Passa seu creme hidratante por sua pele sedosa, vestindo de seguida sua roupa íntima.Ao colocar seu sutiã amarelo, vem-lhe a memória Filipe. Era maluco por vê-la com ele posto. Dizia-lhe, que o que mais gostava, era poder o retirar, vendo surgir seus seios volumosos e brancos, em contraste com sua pele. Sente uma ligeira fraqueza ao se recordar de Filipe. Ele não prestava. A puta de sua amiga ficou com um homem a sua altura. Estão bem um para o outro. Dois merdas. Pensa enquanto se veste apressadamente. Mais uma vez seu telemóvel toca. Ligeira vai a cima de sua mesinha de cabeceira, e repara que mais uma vez é Filipe. Sem demora, desliga de novo o aparelho.  Dirigiu-se a parteleira da casa de banho colocando um pouco de perfume. Mais uma vez lembra-se dele. Ele adorava seu perfume. Mas o que ele não adorava nela? Fingido de merda. Murmurou baixinho Sandra, pegando em sua mala, correndo para a porta.Quando descia no elevador, repara que suas calças de ganga, apresentam uma nódoa no bolso. Porra, disse em voz alta no interior do elevador.Para não ter mais surpresas, inspecciona  sseu camiseiro amarelo , constatando que estava apresentável. Bom dia. Deu-lhe dona Flor a vizinha do rés-do-chão ao entrar no elevador.  Quando Sandra saiu, sorriu, vendo que ela como sempre levava um saco com pão. Todos os dias dona Flor, viúva, sobe até ao terceiro, levando o pão a senhor Joaquim, reformado da marinha, também viúvo. Já sexagenários fazem um lindo par. Mas eles, mesmo o prédio todo sabendo, tentam esconder seu romance. Muitas noites, quando Sandra assiste tv, ouve o barulho da porta de senhor Joaquim se fechar, saindo dona Flor. Pelas horas adiantadas, de certeza não devem a estar a jogar sueca. Como eles, muitos romances encobertos devem existir. São os medos que a sociedade inflige nas mentes que acham que o amor é só para jovens. Pensa nisso Sandra, apanhando o autocarro na praça em frente.

 

 

Paulo abre a porta de seu escritório  que alugara para dar início a seu novo trabalho. Sua licença de detective particular chegara a uma semana, mas só agora conseguira alugar um escritório, que pensa ele, deve dar para o pricípio de sua nova actividade. Dois anos se passaram desde a morte de sua mulher e seu filho. Suas vidas ceifadas  pelo faminto fogo, fizeram-no abandonar a polícia. Ainda não readquirira o normal funcionamento de suas ideias, mas sua alimentação e contas para pagar, fizeram com que ele tivesse de voltar a trabalhar.Mais ou menos   convencido, seu pai, na hora que mais ele precisava, deu-lhe todo seu apoio, e algum dinheiro para começar sua nova etapa de vida. Na sua mente está ainda bem presente as mortes, numa só noite de sua família mais chegada. Complementada por a de seus companheiros e amigos da esquadra que ele comandava a data da fatalidade, os bandidos que executaram tamanha crueldade, irão  pagar sem compaixão da parte dele. As diligências feitas pelas auteridades, não deram em nada. Ainda levaram ao banco dos réus um dos cabecilhas dum das quadrilhas, existentes   na grande Lisboa, pensando que ele se descosia, mas o filho da mãe, pagou a  um bom advogado, livrando-se da cadeia. O que mais o faz pensar, é da maneira displicente   que o caso foi arquivado. desconfia,ele que o russo, nome de guerra, está de certeza envolvido com todas as mortes ocorridas. Vai esperar o tempo certo para agir. O que não lhe falta agora, é tempo, muito tempo.A família de sua falecida mulher, não se cansaram de o culpar pelas mortes. Cortaram relações consigo, nunca mais disseram de sua justiça. Nada que ele se importe muito. Marta mesmo, não se dava muito bem com sua família. Julgando que ela era rica só porque se casou com um polícia, os pedidos de dinheiro , sucediam-se em catadupa. Com irmãos metidos no mundo da droga, uma mãe ex prostituta, e orgulhosa de tal, Paulo em consonância com Marta, resolveram parar de custear os vícios.Não percebeu a atitude deles em quererem cortar com ele. Nunca mesmo teve nenhuma espece de relação! O que lhe move atualmente, são os remorsos por não ter sido um pai mais presente. Ivo só tinha cinco aninhos. Tem sua foto em cima de sua escrivaninha, quando a olha, seu coração enche-se de amargura. Diversas vezes, as lágrim as correm rosto abaixo quando se recorda da alegria de seu filhote quando ele lhe dava uma prenda nova. Fanático pelo Benfica, Ivo pedia-lhe em muitas ocasiões fotos dos jogadores das águias. Facto que não era muito difícil de conseguir. Muitos colegas seus, policiavam os estados nos dias de jogos. Tinham acesso fácil a  esse tipo de material.Vou os aniquilar como de moscas se tratassem. Promete Paulo olhando para a foto, enquando as lágrimas brotavam.  De seus olhos.Hora do almoço. Paulo depois da manhã toda organizando os procedimentos imprescindíveis para começar a laborar, sente alguma fome. O homem que apareceria  para colocar a placa na porta, com seu nome e o que agora faria, não deu de caras. Paulo Magalhães investigador, foi o que ordenou que ele lá colocasse. Quando regressar do almoço, telefonaria de novo ao tipo da placa. Numa rua do Saldanha, encontrou o sítio que acha  central o suficiente para de lá, conseguir pelas ruas de Lisboa vigiar sem se fazer notar. Já havia colocado na net nos classificados, a publicidade  a sua empresa de investigação.  Agora espera que o telefone toque, para começar seu serviço.

Seu pai partira-lhe a cabeça com observações ao modo que ele depois do acontecido a sua mulher e filho, se preparava para iniciar. Isso não é vida para ti filho. Vem para o campo, e trabalha comigo. Isto mais tarde o mais cedo será tudo teu.  Todos os avisos e conselhos de seu pai, caíram em saco roto. Já na altura que se decidiu por a polícia, sabe ele ter desiludido muito seus pais, mais propiamente senhor Luís. A agricultura não lhe diz nada. Ele fique lá com sua plantação de tomates, eu por cá me viro.Sua mãe, diversas vezes, ralha com seu marido, e sua insistência, depois de tantos anos, ainda convencer seu filho a voltar a terra. Mesmo seu pai sabendo da recusa que tem para trabalhar naagricultura, nunca o fez sentir só. Apoiou  sempre que ele precisou. Um pouco recuperados do choque que foi a morte de seu neto, sentem medo por Paulo. Não fora acaso a morte de marta e seu filho. Eles acompanharam as notícias, ficando muito por apurar. Provavelmente, esse tal de russo, é um  testa de ferro. O verdadeiro assassino, anda por aí, e de saúde! Sua mãe provavelmente estaria com razão. Mas ninguém lhe tira da mente, que Russo e sua pandilha, não estarão envolvidos.Paulo mudara-se para Lisboa, vivendo perto de seu local de trabalho. Um pequeno apartamento por si comprado, depois de vender o que restou de sua vivenda nos arredores de Sintra, deu-lhe para comprar a pronto o pequeno estúdio.O que lhe restou, colocou no banco, para futuros gastos laborais. Seu pai também, como sempre o faz, deu-lhe uma quantia considerável. Não vai ser por falta de dinheiro que sua nova empreitada, dará errado.  Primeiro gasta ele, só depois, apresenta-se a conta aos clientes.Não sabe bem como correrá seu trabalho como detective, mas por certo não andará muito longe de correr atrás de esposas, ou maridos infiéis. Logo que lhe dê para viver, não se rala muito. Pensa mais tarde, contratar uma secretária. Isso, se tudo correr como ele espera. Por agora, mantêm-se só, depois, só depois, se verá.Quando sai do prédio, Paulo procura sítio onde matar a fome. Olha para a rua, vendo que no seu lado da estrada nada existe. Passa em sua frente um homem que lhe chama sua atenção. Invulgar  ver uma pessoa tão coberta. O estranho personagem, levava uma capa que lhe dava até os pés. Andando de cabeça baixa, quase o derruba  em sua marcha. Paulo sorriu, e procurou de novo onde comer. constata que defronto, existia uma pequena pastelaria. A rua não era muito movimentada, só por isso, atravessou fora do semáforo.   Ainda nãochegara ao outro lado, ouviu um apito de polícia. Seu coração disparou com o  som. Veio-lhe de imediato a mente, labaredas, e vozes gritando por socorro. O suor corria rosto abaixo, quando sente um toque em suas costas. Virando-se avista um jovem guarda que lhe pergunta se estava a se sentir bem. Por certo iria lhe dar uma bronca, mas vendo o estado de Paulo, retrocedeu  em seus primeiros intentos.O jovem policial, pergunta-lhe se quer uma assistência médica, vendo o estado dele.  Paulo, olha para  o policial e diz-lhe. Não agente. Isto só passa com o tempo. O jovem guarda, fica confuso com a resposta.Continuando a     olhar para Paulo,  repete se ele tem a certeza. Paulo, tira do bolso de seu casaco preto, um lenço, e   limpa sua testa. comenta olhando para o lado contrário. Nunca sabemos qual dos carros que sobem  esta estrada, nos trará a morte. Dizendo isto, Paulo segue em direcção a pretendida pastelaria, deixando para trás, o jovem policial confuzo.   Bem, cada maluco com sua mania.

Rematou o jovem agente, virando de novo sua atenção para o trânsito.

Boa tarde, deu Sandra quando viu entrar em seu estabelecimento um homem de ar sério e de porte atlético.Que vai desejar, pergunta, observando que o homem, por sinal muito bonito, mostrava simblante carregado.Os olhos verdes, com seu cabelo preto como carvão, não a deixaram indiferente. Quero um galão, e por favor faça-me uma tosta mista. Claro, respondeu Sandra, vendo ele se sentar numa das mesas. O rádio tocava uma música que fez Paulo se lembrar de Marta. Ainda Marta fazia parte de seus sonhos. As saudades, o seu corpo esbelto, seus olhos azuis brilhantes, faziam-no muitas vezes se recordar dos bons momentos que os dois, sós, faziam amor até seus corpos se entregarem ao sono. Tenta se apartar de suas recordações, pois estavam-no a apoquentar seus dias. Não conseguia, passados dois anos, os esquecer nunca. Aqui está. Disse-lhe a bonita moça, colocando seu pedido sobre a mesa. Paulo aspira seu perfume e comenta. scada, muito bom. Sandra, olha-lhe, dizendo. Gosta? Paulo diz-lhe olhando-a. Muito bom. Sandra regressa ao balcão, e do lado  de dentro pergunta-lhe se ele trabalha nas redondezas. Sim. Responde-lhe Paulo telegraficamente e levando o copo a boca. Você não  está por aqui a muito tempo. Estou certa? Não. Por acaso, comecei hoje. Retruque Paulo. Sandra , pelo traje dele, constata que não deve ser trabalhador do supermercado que abrira a pouco. Repara em suas enormes mãos, e seu tronco largo.  Quando o viu entrar, quase lhe pareceu um jogador de rabby . Suas pernas cumpridas e musculadas, sua altura, deram-lhe essa impressão. A pastelaria era minúscula, comportando  no seu interior, somente 3 mesas. O balcãocom seu mostruário, dava aos clientes uma visão deleitosa  dos bolos lá expostos. Sempre com o rádio a meio volume, Sandra trauteava as canções  de seus artistas favoritos, enquanto serve os outros clientes que entram pouco a pouco.  Paulo repara na alegria visível na moça. Por momentos, fixa-se no corpo da rapariga que varria o pequeno corredor que separava as mesas junto a parede do balcão.Nota que num dos bolsos de suas calças, era visível uma mancha branca. Não lhe diz nada, mas sorriu, constatando que ela não se ralava com esse detalhe. Não é  muito comum se ver uma mulher nada importada com esse facto. Algumas, deixavam tudo para trás, e corriam para casa a fim de trocar de roupa.  Ao pagar, Paulo apresentou-se, comunicando a Sandra, que gostaria de ser chamado, pelo nome, e não você, ou senhor. Sandra gostou dele, e de seu jeito calmo de falar.  Paulo pagou sua despesa, cumprimentando Sandra estendendo sua enorme mão para  ela. Sua mão femenina, desapareceu entre os grandes dedos de Paulo.  Antes de sair, perguntou-lhe se ela era aúnica empregada. Ficou a saber que Sandra não era empregada, mas sim,  proprietária.Informou-a  Paulo, que seu gabinete era defronto a sua pastelaria. Prometendo em jeito de graça, que veria sempre todos os dias, nem que só para cheirar seu perfume. Porra amigo! Esclamou Paulo, dando um encontrão no personagem que havia visto a pouco antes de se dirigir a pastelaria. Não tem calor? Virando-lhe as costas, o estranho, desaparece tão depressa como aparecera.Quando o trabalho abrandou, Sandra pensou naquele homem de ar sofrido, mas dotado duma magia que ela não sabia ainda descrever. Durante a tarde nunca se esqueceu do toque de sua mão na dela, e de seus olhos verdes mostrando alguma angústia. Finalmente amigo. Porque não veio a hora marcada? O jovem carpinteiro, um pouco desagradável responde. Não me diga que estava com muita pressa. Paulo, irritou-se com tamanha ousadia, vendo que o moço  o gozava descaradamente. Trabalha só? Não trabalho para meu pai. Respondeu o jovem sorrindo, enquanto fazia os furos na porta com um berbequim sem fios. Paulo acalmou-se, constatando que aquele era mesmo o jeito do rapaz se expressar. Embora  não gostasse muito das maneiras, teria de se acalmar. Cinco minutos foram o suficiente para o moço terminar o trabalho. Passando as mãos no fato de macaco, colocou seus óculos de sol, e olhando para Paulo que o mirava, disse-lhe. Vinte euros se faz favor. Puxando de sua carteira, Paulo entrega-lhe 30. O rapaz contou o dinheiro, devolvendo uma nota de 10 dque estava a mais. Não, não, é para ti. Disse-lhe Paulo, agarrando a mão do moço. O engraçado moço, sorriu mais uma vez, apertou a mão a Paulo, saindo rapidamente a trautear. Paulo Magalhães investigador.   Leu seu nome na placa, entrando quando ouviu seu telefone tocar. Atendeu, ouvindo a voz fatigada de seu pai. Como está tudo por aí Paulo? Tudo bem pai. Toma cuidado filho Alertou senhor Luís Magalhães. Não se preocupe pai. Estou a tomar bem conta de mim. Respondeu Paulo, apercebendo a voz embragada de seu pai. Parece que o via, sua barba branca, orgulhosamente tratada, seus olhos verdes azeitona, e seu respirar cansado. Dum beijo a mãe. Dou. Respondeu seu pai, desfarçando sua emoção.  Quando colocou de novo o telefone em seu sítio, Paulo, sentiu-se muito orgulhoso por ter uns pais preocupados com ele. Tivera muitas querelas com seus pais, sobretudo sua mãe, nem queria ouvir falar em polícia. Fez de tudo para ele renunciar, não o conseguindo. Queria um filho engenheiro. Lutou tanto contra a teimosia  de seu marido, orientando seu filho para os estudos, e ele sai-me um poliícia! Dizia-lhe dona Luísa.Já que está, agora suas preocupações, residem  em que ele não se meta com bandidagem. A miúdo lhe alertam para os riscos que corre, quando resolveu se tornar detetive.  Estava a chegar ao fim seu primeiro dia como detetive, quando o telefone tocou, conseguindo seu primeiro serviço.Como esperava,teria de espiar um homem, que sua mulher pensa estar a quebrar o juramento feito ao quando do casamento. Marcou a reunião para o dia seguinte a fim de ela lhe dar mais detalhes de seu infiel esposo. Satesfeito, veste seu casaco, desliga o computador, deu a última olhadela para a foto de Ivo, e saiu. Antes de se dirigir para seu automóvel, deu um saltinho a pastelaria da simpática rapariga. Eram 6 da tarde, e a pequena pastelaria estava cheia de pessoal que saía de seus serviços. Vendo tamanha algazarra, constatando que ela andava dum lado para outro numa roda-viva, para a porta, dizendo-lhe quando ela o avista. Até amanhã. Não, espere. Respondeu Sandra, colocando uma chávena sobre o balcão. Açucar menina. Pediu-lhe o cliente um pouco agastado. Não quer beber nada. Perguntou-lhe Sandra, quando afobada     chega perto dele, que ainda se mantivera junto da entrada. Gostaria muito. Respondeu-lhe Paulo, vendo que ela se mostrava empenhada em beberem a tal bebida. Fecho as 7. Comentou Sandra. Tão cedo? Só hoje. Porquê? Perguntou Paulo. Não seria melhor ficar para amanhã? Não! Respondeu-lhe Sandra servindo a uma mesa. Os clientes ouviam seu diálogo com Paulo. Resolvendo esperar por ela, ficou somente admirando seu jeito de lidar com seus fregueses. Sua beleza, faziam Paulo, já esquecido do que é saborear um corpo de mulher, sentir-se atraído por a desinibida  e muito bonita moça.Marta era morena, mais alta um pouco, menos ancas, e de seios mais pequenos. Sandra com seu longo cabelo louro, fazendo perceber seus seios fartos, dotada de nádegas mais desenvolvidas, faziam-no se sentir vivo.  A volúpia de Sandra deixavam-no desinquieto com sensibilidades perdidas a dois anos. Não podia deixar de reparar em seu corpo voluptuoso  todas as vezes que ela passava perto de si. A miúda estava a dar com ele em doido. Não seria melhor ele ir embora? Por um lado queria, por outro estava curioso para conhecer a moça. Por fim chegou as 7. Sandra quase expulsou o resistente cliente que teimava em beber a última cerveja.  Enquanto Paulo esperava sentado no interior da pastelaria já de porta fechada por Sandra, ela terminava a limpeza de seu negócio.  Ele pediu-lhe um whisky enquanto esperava.  O mês de Junho, já fazia os habitantes de Lisboa, trazerem roupas leves. Nessa tarde noite, Paulo acompanhado pela charmosa Sandra, foram a um bar sugerido por ela. Ainda não tinha batido as 8, quando Sandra vê entrar Filipe também junto. Nesse preciso momento, Sandra estende suas mãos sobre a mesa e agarra com força a mão livre de Paulo, que surpreendidoassusta-se. Sem pronunciar  nenhuma palavra, ele retira sua mão, olhou para o casal que se sentara duas mesas afastadas deles, e continua a beber seu drinque.Sandra, arrependida pelo acto, de imediato apercebe-se que ele não gostou.  Naturalmente ficaria com uma má impressão a seu respeito. Bem talvez será melhor eu me ir embora. Não achas? Perguntou Paulo olhando Sandra, que desde de que lhe segurou as mãos, ficara de cara fechada. Filipe e sua acompanhante, ria-se, fazendo-se ouvir no bar todo. Seus olhos por vezes olhavam Paulo, outras abatiam-se sobre Sandra de costas para ele.   Já do lado de fora, ela tentou que ele compreendesse  porque ela agiu assim. Verificando que Sandra saíra a pouco duma relação, e que ele era arma de ciúme, disse-lhe que primeiro teria de resolverseu problema sentimental .  Por favor não me leves a mal. Pedia-lhe Sandra dentro do carro de Paulo que a levava a casa.Passava das 9, e ela não se calava com os pedidos de desculpas. Farto de a ouvir, Paulo  por fim disse-lhe que eram aceitos os pedidos. Sério? Sim, a Sério. Respondeu Paulo parado em fente a praça que separava o prédio de Sandra. Boa! Não queres beber algo em minha casa? Eu faço um café espetacular. Paulo olha-lhe com seus olhos verdes penetrantes, e responde-lhe sorrindo. Queres mesmo que vá? Por momentos, Sandra avega no verde claro dos olhos de Paulo, deixando-se levar por uma suave sensação   de leveza.Tudo bem? Acordou Paulo Sandra. Seus olhos por breves segundos não se largaram, dando ao interior do carro um ambiente estranho. Ela abriu a porta,saindo. Paulo logo de seguida fecha seu carro, seguindo Sandra até a entrada de seu prédio.

 

Espera aí pá. Não posso andar mais rápido. Respondeu Loto carregando uma mochila. Estou com os pés cheios de bolhas caralho! Lito, vira-se para trás, dizendo a seu companheiro Calé. O gajo mata-nos se não entregarmosisto a horas. Ok. Respondeu Calé descalçando o sapato. A rua.

 era escarpada e escura. Seu correio devia estar no cimo, junto da entrada do bairro. Os dois passadores, levavam em seu poder uma carga vinda pelo mar, desembarcada no algarve, onde haviam ido buscar. Avistaram quase chegando ao topo, um homem encostado ao único candeeiro que dava claridade.Calé esquecendo a dor em seu pé, aproxima-se ligeiro de lito, perguntando. É ele? Não sei. Respondeu Lito. Pelo cabedal, parece. O chapéu tapava seu rosto, o fumo do cigarro fazia uma nuvem em seu redor, fazendo duvidar os dois rapazes que em simultâneo sacam das nafalhas. Passando perto do fantasma, tentam enxergar e aperceberem de quem se trata. O homem de capa preta, chapéu de abas largas, levanta a cabeça, mostrando seu rosto. O terror ficou estampado nos rostos dos dois passadores. Várias rajadas se ouviram, ecoando ao longo dos bairros envolventes. Uma enorme poça de sangue fora criada pelos dois corpos sagrando ininterruptamente.  Suas cabeças foram separadas dos corpos, e no chão ao redor, lia-se. Como fogo ardente, essa é minha vingança. 

 

Paulo pela manhã, recebeu a esposa desconfiada,que lhe deu algumas fotos de seu marido. Anotando os locais que ele frequentava, a mulher de idade avançada, mas muito bem estimada, deu-lhe o adiantamento pedido para deslocações e outros gastos. Com um casaco de pele genuína, afagando seu gato branco e de grandes olhos azuis,  pareceu-lhe muito abonada. Esta não terá dificuldade em me pagar. Pensou Paulo quando se despediu da opulenta  mulher. Voltando para sua escrivaninha, pensa em Sandra, lembrando-se dos momentos passados em seu apartamento. Por inacreditável que lhe parecesse, são os dois fanáticos do benfica. Sandra tem todos os cromos dos jogadores do glorioso. São bandeiras, são cachecóis, isto tudo que vês.Disse-lhe ela, quando fora buscar um baú a despensa , mostrando seu interior. Paulo saiu fortalecido da casa de Sandra. Além de ser linda, também tem uma energia sem paralelo. Seus lindos cabelos, seu sumptuoso corpo, avivaram toda a sua vontade de sentir de novo um corpo de mulher, e usufruir de seus encantos.Ela durante a manhã, vem lhe surgindo na mente como uma aparição. Não chega a hora do almoço para ele de novo olhar-lhe tentando descortinar as mesmas sensações que tivera na noite transata. Sandra também sentira o mesmo. Ainda deitada, poisjá havia ligado para Eduardo que hoje estava ao serviço,refletia deitada em sua cama, no musculado corpo de Paulo, apercebendo de seu peito peludo. Sempre teve um fraco por homens cabeludos. Filipe era liso como uma mulher. Mesmo nas pernas, sítio que quase todos os homens tem pelo, Filipe não.Quando suas mãos precorriam seu corpo, Sandra por vezes pensava estar deitada com uma rapariga. Paulo, com seu corpo peludo, seus enormes peitorais quase rebentando os botões de sua camisa, enchiam-na de dedesejo. Quando se lembrava do olhar que ele lhe fazia pelo canto do olho, mostrando interesse em seu corpo, mais abrasada ficava.  Fora uma noite muito agradável. Não perderia por nada mais um encontro com ele. Disse-lhe que estaria por volta da uma da tarde na pastelaria. Tinha de se apressar! Dum salto, dirigiu-se ao banheiro, tomando um duche tranquilizador. As sensações boas, guardava-as para quando estivesse perto do gato de olhos verdes.  Enquanto se lavava, suas mãos tocavam seus mamilos excitados, vindo-lhe ao pensamento o corpo de Paulo. Tentando não pensar, apressa-se a sair da banheira. Vestiu-se com uma saia preta dando-lhe pelos joelhos, um tope azul sem alsas, fazendo se notar seus delicados ombros, para logo de seguida borrifar um pouco de perfume, que ele diz gostar muito. Colocou um pouco entre seus seios, sorrindo ao se aperceber, que estava nervosa. Pareço uma miúda de 15 anos! Pensou Sandra passando em seus lábios um pouco  de batom vermelho. Como sempre escovou seu longo cabelo louro, deixando-o cobrir parte de seus ombros. Determinada, procurou uma mala que correspondesse  com sua roupa, encontrada, saiu apressada.

 

A tv divulgava o assassinato ocorrido perto do bairro de lata nas redondezas da cidade da amadora.Renato, com o epíteto  de russo, derivado a ser albino,junto com sua namorada, uma loira de mamas grandes e completamente drogada, assistia em sua enorme mansão fortificada, as imagens que a televisão difundia.A loira, deitava-se sobre ele, pedindo-lhe amor. Quase debaixo da desesperada rapariga, Russo tentava se livrar de seu abraço apertado.Empurrando-a do sofá, faz a loira deslizar até ao tapete da sala. Desatando em gargalhadas, fica onde caiu, sem forças para se erguera bonita moça.Pelo intercomunicador posto ao canto da sala, junto do grande bar, chama um de seus homens que do lado de fora guardavam a ostentosa mansão.Rapidamente surgiu um rapaz, que de cara forrada de pressings, se faz notar junto dele. Lauto, quero que investigues quais foram os rapazes que deitaram tudo a perder.  Aquela carga era muito valiosa. Comentou Renato. O tipo crivado de argolas na cara, ouviu, e sem pestanejar , limitou-se a abanar a cabeça em confirmação. Depois de ele sair, vai junto da loira e levanta-a, dizendo-lhe. Pronto, aqui o bebé vai te dar uma coisinha, ok?

A mamalhuda , beija-oenquanto ele abre o fecho das calças, autorizando que ela, introduza lá sua mão.

 

Bem tu estás linda. Obrigado. Respondeu Sandra ao elogio de Paulo. Encontraram-se na pastelaria, mas logo após saíram a almoçar. Durante o almoço, Sandra estava encantada com Paulo e sua maneira prudente  de falar de quase tudo. Os dois sentiam que a atracção que ambos partilhavam, teria de ser inevitavelmente consolidada. Antes de Paulo seguir para seu local de trabalho, pediu a Sandra que o ajudasse a escolher uma máquina fotográfica, facto que ela achou muita graça, pois também gostava de fotografia. Só após a compra,Paulo se despediu de Sandra, beijando-a muito delicadamente seus lábios. Sandra, essa tarde foi passada lemvrando-se do meigo beijo dado por Paulo, que ela preservava  em sua mente. Espera com ansiedade por o momento que esse beijo seja mais profundo, podendo se entregar aquele homem, que lhe anda a dar cabo da tranquilidade.Sonha com o momento que seu corpo se funda com o dela,enquanto olha para aqueles olhos verdes penetrantes.Um euro pelos pensamentos. Disse Eduardo sentando-se junto dela. Pela carinha, é mesmo amor. Comenta o seu empregado e amigo.Parvo. Vai mas é trabalhar. Reposta Sandra.Não tenho nada para fazer. Então fecha a boca, e vai para casa. Isso queria eu. Respondeu Eduardo. Podes ir. Sério? Claro que sim bobo. Diz-lhe Sandra deslocando-se para o interior do balcão. Levou uns quantos beijos na cara, e viu o jovem pai desaparecer porta fora, deixando-a a sorrir.

 

Paulo passou o resto da tarde espiando um velho gaiteiro, que se fazia acompanhar por duas belas moças de grandes nádegas.  Tirou inúmeras fotos, trazendo provas muito convincentes da deslealdade do velho. Deu-se ao trabalho de subir ao andar onde o  bacanal se efectivava, tirando fotos do número. O cuitado do empregado que estava na ressecção, levou um arroxo  no canal das sopas, dando de imediato a folha onde  estava  lá bem visível o nome do velho. Fora tudo muito simples para Paulo. Um pouco chato, nada tendo a haver com sua antiga profissão, mas de certeza mais lucrativa.Claro que a madame, teria de esperar mais uns dias, porque, sairia muito leve seu dispêndio. Regressava a casa, quando lhe deu um impulso para ligar a Sandra. Ainda levou a mão ao telemóvel, desistindo de imediato. Quando o sinal vermelho fechou, Paulo acelerou rumo a casa. No caminho colocou o relatório em dia com sua mãe, concluindo com um: está tudo bem pai.

 

Duas da manhã na estação dos barcos no terreiro do passo. Num canto da estação, um vaículo, tinha seus piscas ligados, quando junto do carro, aparece um tipo vestido de azul, calçando ténis brancos. Abre a mala do carro, olha para todos os lados, c olocando no seu interior uma peqena mala.Na escuridão feita pela pala da edificação, julgava estar  a salvo de qualquer surpresa. Controlando todos os locais, que sabendo ele, poderiam estar os xuis, entra no carro. Mete as chaves na ignição, para logo acertar o espelho retrovisor, percavendo-se de algum susto. Quando seus olhos olham o espelho, constata um vulto no banco de trás. Tenta levar a mão a pistola que guardava no porta luvas, mas não foi o leste suficiente. A faca de mato, rasgou-lhe a garganta até a cervical. Seu corpo caiu para o lado, quando uma mão com luva, desliga os piscas, para logo após espalhar    sobre o defunto gasolina. Silenciosamente o carro rolou até o local desejado, e a noite de  Lisboa teve mais claridade. A quantidade de gasolina que o carro continha, mais o que fora espalhado no seu interior, foram comida para as devastadoras  chamas. Uma mancha negra restara do que um dia fora um carro. Poucos metros do vaículo, estava escrito no chão: as chamas são o alimento de minha vingança.

 

Passaram dois dias do começo do negócio de Paulo, apurando ele que gostava de seu novo trabalho. Os pedidos para vigiar maridos, ou o contrário, sucediam-se a um ritmo constante. Bem! se os telefonemas não pararem, tenho mesmo de contratar uma pessoa para me ajudar. Murmurava Paulo ao escrever mais uma pessoa na lista de espera. Pensava ir a casa de seus pais o fim-de-semana, mas estava a constatar que lhe seria quase impossível.Seu telemóvel tocou, vendo ele o número de Sandra. Combinaram para o fim da tarde, uma bebida. Ela não lhe saía da mente. Não se esquece de seu corpo cheio de pequenas curvas, suplicando por seu toque.Foram dois anos sem conhecer outra mulher. Quando veio para Lisboa, não era sua intensão se apaixonar de novo, mas por o que via, parecia-lhe  evidente que Sandra  mexia consigo. Paulo não imaginava a agitação que a sua elegida, no preciso momento que ele pensava nela, se preparava para sofrer. Mal Sandra desligou o telemóvel que acabara de falar com Paulo, foi a porta porque a campainha  tocara freneticamente durante sua conversa. Quando a abriu, surgido em sua frente Filipe. Que queres aqui? Preparava-se para lhe fechar a porta na cara, quandoele com uma brutalidade, que ela pensara ele não ter,entra a força, para logo de seguida fechar a porta. Girou várias vezes a chave, colocando-a no bolso. Sandra assustada pelos modos hostis de Filipe, ameaça-o com a polícia. Com um brilho perverso nos olhos, agride-a com violência, dando-lhe um soco no rosto, fazendo -a, cair  por terra.Ainda não saciadocom que havia feito, Filipe, agarra-a pelos cabelos, lançando-a de contra uma das paredes, gugindo quando constatou que Sandra ficara inanimada. Sandra acordou largos minutos depois de seu atacante ter saído, e seu corpo estava machucado e  sofrendo pelos maus tratos.Seu olho esquerdo estava muito enchado, vormando-se um circulo negro a  volta. Seu primeiro impulso, deu-lhe para ligar a Paulo, mas ele não atendia o telemóvel. Pensnou em ligar a polícia, mas resfriou esse intento. Cuidou de sua vista, e tomou um banho. Sua raiva desenvolvia-se a medida que se lembrava da cara de Filipe.Paulo não tinha nada haver com sua vida pessoal. Não o iria meter num assunto que ela mesma resolveria. Ainda não o conhecia suficiente para o involver em quezílias privadas.Ele vai ter o troco, pensava Sandra, passando creme em seu olho. Desta vez, Paulo anotava os locais que a mulher dum dos seus cclientes lhe pedira que averiguasse. Pelos vistos, não existe nada de anormal com a senhora, umas voltas as compras, mais umas compras, e nada mais. Deve ser daqueles que o melhor ataque é a defesa.  Vigiar para não ser surpreendido ele.Seu telemóvel estava com uma chamada não atendida, conferindo, repara que é de Sandra. Mais tarde liga-lhe. Hoje quer lhe dizer que ela mexe consigo.  Também sente que ela, pela maneira que o olha, sente também algo. Nada melhor do que cara a cara, desvendar esse enigma.Não passa de hoje! Pensa Paulo metendo a chave na ignição, arrancando rumo a casa, com a esperança que Sandra tenha os mesmos sentimentos.

Não lhe posso aparecer neste estado. Conclui Sandra, quando recebe uma  chamada de Paulo convidando-a para saírem. Não teve coragem de declinar um pedido que ela tanto esperava. Terei de inventar uma desculpa bem plausível, era tão bom q ele acreditasse. Pensava Sandra passando seu creme. Hoje, não sendo o olho negro, teria de o dominar com sua elegância. Colocou seu perfume, sabendo que ele sempre se refere a ele,e poderosa e determinada, procura suas chaves, deu mais uma olhadela ao espelho, e saiu para o encontro com seu gato de olhos verdes, Tantas vezes por si desejado.

 

Mas que raio! Não sei o que se anda a passar. Russo conversava com seu superior em local escolhido por  seu chefe. A casa era ladiada por gigantescos muros, onde no seu topo era bem visível o  arame farpado.Um minúsculo penhal no seu interior, escondia a mansão que Russo se encontrava a prestar contas pelos últimos acontecimentos aos homens que andavam a morrer como tordos-bravos. Por detrás duns óculos escuros, migalha, nome de código,tentava compreender que merda ele andava a fazer, que não dava fim as mortes de seus homens. Não acreditava nele, quando lhe dizia que não sabia porque os últimos casos ocorreram sem razão aparente. Sentado em frente a seu chefe, a inquietação era evidente no comportamento de Russo. É como lhe digo chefe, já dei voltas a cabeça, e não consigo descortinar qual o motivo para nossos homens estarem a ser atacados.O exritório era luxuoso.  Uma alcatifa  côr marfim, com nuances que davam uma imagem parecendo mármore, cobria toda a superfície do ostentoso  gabinete. Vestido todo de branco, com longo cabelo loiro, perseguido em todos os seus movimentos por um cão de grande porte e  amordaçado que de vez enquanto rosnava para Russo, mostrava toda a sua alteridade quando em sua frente colocou uma arma bem visível. Mostrando   frustração, alertava-o para os riscos de ele falhar. Russo conhece bem os castigos. Em muitas ocasiões, teve de ser ele mesmo, a impor os corretivos a outros que como ele, por alguma coisa, tem de prestar contas.Algo estava a lhe escapar. Não divisava ninguém que lhe quisesse projudicar. Tinham passado dois anos, quando se sentou no banco dos réus, por denúcia dum polícia que o incriminava por umas mortes ocorridas. Nada fora descoberto, porque ele não foi o mandante. Na altura, também ele ficou um pouco surpreendido, pois todas as mortes foram executada  por profissionais experimentados. Só poderia  ser grupos do leste. Cada vez mais vai surgindo máfias do leste da europa. Aparecem com uma insensibilidade para com as vítimas, que até a ele lhe faz impressão. Não se limitando  ao tráfico,  abraçam outras formas de crime. Com uma organização bem estruturada, vão espalhando o terror.  Acompanhado por um dos inúmeros seguranças de seu chefe, é conduzido até seu carro. O tipo vestido de negro, com seus dois metros de altura, não manifestava nenhuma expressão que se pudesse notar. O portão de ferro  abriu-se quando por rádio, Russo finalmente ouviu a voz do grandalhão a comunicar com outro segurança, que tudo estava certo, pedindo-lhe que abrisse o portão. Regressando velozmente a sua mansão, Russo por fim respirou fundo. Todas as vezes que tem de se apresentar ao chefe, sai de lá a transpirar. Já havia escutado  relatos, que muitos entraram vivos, saindo mortos e para paradeiro incerto.

 

O bar onde Paulo se encontrou com Sandra, era o mesmo que costumava ir com sua falecida mulher a data de seu namoro. Situado nas proximidades  da gare do oriente, com vista para o rio, fora lá muito feliz. Marta gostava muito de estar junto do Tejo ao final da tarde.Bebericavam umas bebidas, passeavam pela margem, regressando só ao fim da noite. Agora esperando Sandra, Paulo sente um vestígio de saudade.

Marta não seria esquecida, mas  a vida continua. Sandra é tão especial. Fascina-se  com o jeito descontraído dela.Tem  os cabelos louros

luminosos como a folhagem banhada

pelo sol, a pele delicada, cor de chá. Era encantadora, com o

nariz pequeno, a boca bem desenhada e os olhos amendoados, da cor do céu.

O bar ainda estava vazio , enquanto Sandra não chega, Paulo telefona a mãe, a fim de lhe fazer o resumo do dia. Como sempre, seu pai também veio a linha, dando-lhe os conselhos habituais. Depois da ligação, Paulo pediu outra bebida. Estava a ficar preocupado com a demora de Sandra. Dissera-lhe o local exacto  , obtendo uma confirmação da parte dela, que conhecia bem o sítio.Mas sua demora procupa-o. Antes de entrar em casa, fez questão de comprar uma roupa nova. Estava a se achar tão patético !Um blêizer azul marinho, com umas calças cinza, camisa Também cinza, pareceu-lhe adequado para se apresentar a mulher que tanto sonha em ter nos braços. Porra, mas que merda. O transito parou, irritando Sanra que apanhara um táxi, ficando agora retida na procaria da estrada.Não pode subir o passeio ? A menina está maluca? Respondeu-lhe o taxista buzinando para o carro da frente. Eu tenho filhos para sustentar. Complementou ohomem. Merda. Suspirou Sandra deixando-se cair para trás no assento. Uma avaria. Disse-lhe o taxista. É muito urgente menina? Uma situação de vida ou morte meu senhor. Respondeu Sandra, erguendo-se de novo. Reparou que o motorista, olhava-a pelo retrovisor.Com grande destreza, o táxi sobe o passeio,  e em grande velocidade passa pela direita da fila de carros a sua frente, virando a esquerda na próxima curva, já livre de engarrafamentos.Sandra concerta-se no banco, pois tivera de se segurar com firmeza para não se machucar. Cá estamos menina. Disse-lhe o taxista concertando seu boné. Sandra dera-lhe uma gratificação  pelos riscos que ele havia se metido. O simpático taxista, desejou que ela passasse um bom serão, pois achava-a muito bonita. Mesmo Sandra notando que ele lhe olhava com estranheza para seu olho negro, foi o cavalheiro o suficiente para não se aludir a esse seu pesadelo!

Paulo levantou-se quando vê surgir Sandra a porta do bar. Como sempre estás linda. Muito obrigado. Respondeu-lhe Sandra. Tu também pareces um galã de cinema! Puxou uma cadeira para ela, pedindo de imediato uma bebida para os dois. Os olhos verdes de Paulo quase de imediato reparam que o olho esquerdo de Sandra apresentavam   negridão. Reparando que ele lhe olhava de maneira estranha, adiantou-se a pergunta, dizendo. Uma pancada duma estúpida, que não me viu no passeio, dando-me um encontão, ferindo-me com sua cabeça. Meio embaraçada, pega no copo, e olhando Paulo, espera que ele não lhe pergunte mais nada a respeito do olho negro. Subitamente sente as grandes mãos de Paulo sobre a sua mão que nervosamente apertava o guardanapo. Seus olhos fitam-se, procurando dizer o que suas bocas não o conseguem. Paulo  segura sua mão com força, e por fim deixa fluir seus sentimentos. Sandra na espectativa,  deseja ouvir que seu coração ultimamente vem pedindo.Paulo não a decepcionou. Não vou fazer rodeios contigo. Eu estou perdidamente enamorado por ti. Ultimamente venho pensando em ti todos os dias, todas as horas, é de malucos. Declarou Paulo pressionando os dedos de <sandra, que sente seu coração dar pulos no peito com tanta alegria. Coloca o copo sobre a mesa meio trémula, para logo lhe dizer.  Porque será que tuas palavras são tudo o que eu também sinto? Paulo sorriu. Logo de seguida, levantou-se e estendeu-lhe a mão, que ela com delicadeza conrespondeu.Preciso que te levantes e que venhas dançar comigo. Tocava uma música calma, tornando o momento ainda mais especial. Com seus corpos colados, os dois eram observados por os poucos clientes que testemunhavam o momento de paixão., Nessa tarde, Paulo abriu seu coração que até então era só mais um órgão fazendo parte de seu corpo.Contara sua vida atribulada nos últimos tempos, pedindo a Sandra que tenha paciência com ele, pois ainda sofre pela morte de seus entrequeridos.  Com doçura em suas palavras, Sandra mostrou a Paulo toda a sua ternura, compreendendo, e contando-lhe que estava a passar um momentos atribulados.Não estava a ser fácil. Não contara a Paulo do soco que levara. Espera que tudo passe, para por fim, se entregar de corpo e alma a ele.Eram seus desejos mais íntimos se dar com tudo  que seu coração ainda comporta, a este homem, que lhe vai a echendo de esperança no futuro. Desde que sua mãe morrera, deixando a seu encargo sua pastelaria que tanto gostava,que Sandra não sabe o que é uma família. Filipe disfarçava, mas não preenchia a lacuna que só o vazio por ela criada, faz sofrer quem não a possui.  Paulo tinha família, mas mas procurava ser de novo um homem completo. Sandra dera-lhe a volta de seus desejos ocultos por uma dor, que pensava ele não ter fim. Não se importando do risco de tudo dar mal, pensava somente nela, em tudo que seu corpo e sua alegria lhe pudesse oferecer. Estava  decidido com ela passar bons momentos, não se importanto se daria certo ou não.

Sabe que com ela se sente bem, dando-lhe uma vontade intrínseca de estar a seu lado. Que interessa que vai acontecer? Sua vida passada, fora tudo feito com o mínimo detalhe, dando naquilo que agora ele se encontra. Foram projectos cuidadosamente precavidos de erros, para em nada darem.Seus desejos de ser o salvador da pátria, criador duma forma de fazer justiça, desaguounas mortes de quem mais amava. Não se esquecera neles. A seu tempo, os assassinos terão o seu pagamento. Mas também sem amor, sem compreensão, e sem alguém que o ame tudo será mais difícil.Sandra será essa mulher? Paulo não o sabe. Mas quer tentar ser feliz mais uma vez ao lado duma mulher, que pensa ser provida duma enorme afectividade para com ele. Não a vai decepcionar. Pensa abrir seu coração, fazendo entrar alguém que o ajuste, limpando-o de todos os rancores amontoados. Por fim, a noite deu lugar a dois corações famintos e ansiosos pelo momento que

Os dois Esperavam a  muito. No escuro do apartamento de Sandra, depois dum serão onde a cerimónia era uma constante , acabaram a noite com seus lábios molhados do desejo reservado para o momento, onde seus corpos desejando-se reciprocamente, se entregariam sem tabus, explorando  o mais ínfimo gemido de prazer.Sobre a cama, os dois, davam-se numa loucura,  ávidos por sentirem seus corpos se derretendo  de puro arrebatamento.    Paulo sentia   o corpo dela mexendo-se e retorcendo-se de prazer, vendo que Sandra  lambia  os  próprios  lábios  e revirava   os  olhos , numa  imagem  de volúpia e sensualidade  ao ser por si possuída. Paulo, .  Subiu suas mãos  pelo  ventre  de Sandra,  tocando  os  seios  nus, com  os mamilos  duros, pedindo arduamente que ele os beijasse, que ele o fez com uma determinação selvagem.  Os seus  lábios  procuraram os  de Paulo,. Beijando-o  sofregamente , enroscando   sua língua  na dele, sugando  a sua saliva, mordiscando  os  lábios  sensíveis  dele, Deixa se levar por o balanço que seus corpos faziam ao ritmo dos  devaneios sexuais. acabando  deitados  na cama  tremendo  de exaustão, olhavam-se em silêncio, felizes por estarem juntos. Depois do banho revigorante , falaram de tudo um pouco. Sandra sentia-se feliz. Mal o conhecia, mas parecia-lhe que ele sempre fizera parte de sua vida.Paulo, esse não contia tamanha fortuna, por ter encontrado uma mulher, que para si, estava a ser um bálsamo consolador. Nada seria como dantes. 

—Um cheiro  a queimado  muito  intenso vinha de um  dos   quartos da casa. Russo foi  até lá. Os aposentos estavam muito quentes, apesar de  ter suas  janelas  completamente abertas. Próximo de uma dessas  frestas existia um aglomerado de lenha queimada , evocando o feitio

de uma cadeira.  Perto dessa madeira incendiada existia abundante cinza. Parado Russo refletia na merda que se traduziria sua vida se ele, não desse fim a matança.

Era madrugada, os homens dele, e depois dos polícias desaparecerem,tentavam encontrar explicações para o sucedido. Nada chefe, disse um deles, trazendo na mão um pau que ainda fumegava. Desta vez fora seu braço direito que havia sido assassinado pelo enigmático fantasma.A própria guarda, não descobrira nada de relevante.a mesma mensagem, essa sim, estava bem visível defronto a casa, bem gravada no asfalto. O secreto assassino, fizera tudo pela madrugada, queimando seu amigo e tudo que a casa abarcava. Seu chefe por certo vai lhe tirar apele tira a tira.Amanhã, não podia se esquecer de ligar para uns amigos que tem na polícia, que lhe foram muito útil, quando careceu de falsas provas, livrando-se de cadeia pela certa.O que mais o caustica, foi a mensagem escrita com tinta vermelha, quando pela manhã saiu de sua casa, reparando que no muro, estava escrito em letras garrafais: está quase na tua vez! Agora constata, que é ele o último. Não vai deixar chegar a esse ponto, vai apanhar o menino que se anda a meter com ele.Todos para os carros. Gritou para seus homens. Deixando o local, Russo pensativo, indignava-se  por não conseguir descobrir quem o queria  aniquilar. A organizaçãoque trabalha, nunca teve problemas destes.Os cabecilhas, andam a ficar muito melindrados com os últimos acontecimentos.Para ficar a salvo de qualquer sobressalto, será melhor ele apressar as investigações, se não, sua pele vai servir de tambor.

 

Sandra, acordoue Paulo não estava a seu lado. Levantou-se, reparando que suas roupas desapareceram. Por certo foi trabalhar. Pensou enquanto colocou a cafeteira a lume para café. Dirigiu-se a casa de banho, abrindo a  torneira a fim de tomar um banho. Seu corpo ainda tinha o cheiro de Paulo. Curvou sua cabeça, cheirando o odor que ele lhe deixara, impregnando sua pele. Veio-lhe a mente a noite de amor. Já tivera algumas relações, mas nunca fizera amor com um homem tão delicado e subtil, tirando de si, sensibilidades   que ela não pensara existir. Gosta do seu jeito de falar, gosta de tudo nele. Filipe a seu lado, é uma miragem longínqua, fazendo parte do passado. Quando terminasse seu pequeno-almoço, iria se por bela, para lhe fazer uma visita em seu local de trabalho. Antes de entrar na banheira, desligou o fogão, ligando a tv. O jornalista falava dos acontecimentos que nas últimas  semanas vinham-se repetindo.reteve-se um pouco olhando a televisão, vendo imagens aterradoras. O jornalista dizia que um serial kiler, andava a espalhar o terror entre os habitantes de Lisboa.Meu Deus, quem tem coragem para tamanha atrocidade. Murmurou Sandra, seguindo para a casa de banho.  

Passavam pouco das nove da manhã, Paulo recebera o primeiro pagamento de seus serviços de espião. Sem perder muito tempo, saiu. Teria de depositar a massa no banco. Não gostava de andar com muito dinheiro no bolso. Com o cartão multibanco, não é necessário muitas notas na carteira. Quando saiu do banco, celebrou  seu primeiro salário, bebendo dois whiskys num  café  nas proximidades.Quase chegando de novo ao seu local de trabalho,avista em sua direção, um grupo de jovens fazendo algazarra. Os  três homens que vinham em sua direção, conversavam com algum alarido. Quando passaram por ele, um deles agarra-o  por trás. O outro socou-lhe   estômago com  tanta força que o fez vomitar o whisky que havia bebido. O terceiro pontapeou-lhe   o rosto, quando ele caiu.

Caramba, ele estavaarmado! Exclamou o homem que se abaixou para revistá-lo.Não estamos com sorte hoje! Acrescentoudando em Paulo mais um pontapé nas costelas.Quanto se tentava erguer, ainda os viu Paulocorrendo rua abaixo. Colocou-se de pé, sacudiu seu casaco, procurando sua pistola. Os larápios levaram-na.comentou, esfregando em seu estômago. Próximo dali,um dos três que haviam assaltado Paulo, telefonava dizendo que ele andava armado. É como te digo chefinho, armado, e sem dinheiro! Nem deu para bebermos uma cerveja. Acrescentou o gatuno. Desligou, para logo de seguida ir ao encontro dos outros dois que o esperavam na esquina. 

 

Quando Paulo subia as escadas, tenente Miranda, já o esperava no cimo. Bom dia camarada. Surpreso, Paulodevolve os bons dias. Bolas camarada. Que se passou contigo? Foram uns daqueles que devias estar atrás. Respondeu com rispidez. Calma. Retruque Miranda. Um assalto? Não. Convidaram-me para almoçar. Diz-lhe Paulo abrindo a porta de seu escritório.Miranda ficou a espera que Paulo lhe desse ordem para entrar. Não vais entrar? Miranda, deu dois passos em frente ficando do lado de dentro. Bem amigo, isto devia estar melhor guarnecido de móveis, não achas? Paulo sentou-se, depois de ter tirado seu casaco Esburacado.Não ligando ao comentário de Miranda, pergunta-lhe. Que queres de mim. Miranda, sentou-se em sua frente, perguntando-lhe se ele por acaso não tinha nada haver com as últimas mortes. Ele sabia de sua promeça ao quando da morte de sua família, e seus amigos de corporação. Paulo, sem muitos rodeios, informou-o que estava feliz por alguém estar a fazer o serviço por ele. Paulo havia trabalhado com Miranda. Foram colegas na academia, dormindo no mesmo quarto. Quando saíram, Miranda escolheu a investigação, Paulo, o policiamento .Procura outro pá, disse-lhe Paulo. Levantando-se e abrindo a porta a Miranda, que fica olhando-o com espanto. Põe-te a andar moço. Ordena Paulo com agressividade .Não estás feliz por mveres? Devias ter pensado nisso, estes anos que não ligaste nenhuma. Respondeu-lhe Paulo. Fecha a porta e volta a se sentar. Mal se sentara, ouve bater . Porra!que será agora? Gritou Paulo, pensando que Miranda não desistira.Abre-a com violência, encarando com Sandra. Seu rosto fica num ápice serenado. És tu. Entra. Pediu-lhe Paulo. Sandra estava mais bonita do que dantes. Seu vestido preto. Com um decote bem longo,  Mostrava parte de seus ceios. Paulo engoliu em seco, colocando uma cadeira a disposição dela. Que se passou com tua cara? Perguntou Sandra com preocupação. Fui assaltado. Assaltado! Estás ferido? Perguntou-lhe ela, levantando-se da cadeira. Mostra cá. Disse-lhe, circundando a secretária. Tocou com seus dedos no arranhão que Paulo tinha no rosto.Não é muito fundo. Verificou Sandra, beijando o local.Paulo, sente seus lábios húmidos e quentes. Envolve-a com seus braços.Fazendo Sandra ficar em seu colo. Pode aparecer alguém. Disse-lhe ela preocupada. Não bateste a porta?. Disse-lhe sorrindo Paulo. Suas línguas ávidas por se tocarem, saboreiam-se. Paulo deixa sua mão percorrer as costas nuas de Sandra. Colocando a outra dentro do decote. Sente seus seios suaves. Com delicadeza, afasta a alsa do vestido, deixando-os  soltos. Com ternura, beija-os,  deixando Sandra louca de lubricidade.   Abruptamente , são interrompidos por uma pancada na porta. Dum salto, os dois ajeitam-se, deixando seus corpos arrefecerem.Sandra voltou-se a se sentar. Abrindo, Paulo reparou que era um de seus clientes. Merda. Pensou ele. Olhando para Sandra, pede-lhe que saiaMais tarde iria a sua pastelaria. Despediram-se com um beijo, enquanto Paulo pedia a seu cliente que se sentasse..

 

Miranda, visitou o local do fogo da noite anterior mais uma vez. Quem fez isto, é um profissional. Indagou o policial. A casa só lhe restava as paredes, e um pouco do telhado. A autópsia constatou, que o corpo antes de ser queimado, levara um corte na garganta, quase a separou do resto.Paulo para ele era o único interessado nestas mortes. Todos que morriam, eram pessoal que trabalhavam para Russo, e sua hipotética inpresa de camionagem.A muito que sabia que Russo e sua pandilha, eram responsáveis pela distribuição  de heroínana cidade. Por qualquer razão, sempre escapou. Outros mais poderosos andavam na retaguarda. Russo, era o rosto da organização. Não fora por acaso, que  ele e alguns próximos, enriqueceram do dia para a noite.No ano das mortes dos policiais, Russo havia se sentado no banco dos réus, por suspeitas dum dos crimes. Nessa noite fatídica, fora encontrado no bolso do jovem polícia Fábio, bilhetes com frases iligíveis, pensando-se ser códigos. Mais tarde, um perito  em deslindar os mesmos, revelou que  provavelmente seriam futuros locais a descoberto de policiamento. Paulo, alegou que ele era o culpado por todos os crimes. Não foi esse o veredito do juiz.Não convencido, Paulo teve de aceitar. Mesmo se sabendo que Fábio era o revelador, informando de todas as rusgas  preparadas, não se apresentaram provas credíveis. Paulo ao saber do involvimento de Fábio, ficou muito abalado. Era para si somente o melhor agente.  Mais uma vez, saiu Russo por cima. O que aqui se quer entender, são os motivos que move alguém cometer estes crimes.comentava Miranda, olhando para os destroces, sendo acompanhado nas afirmações por outros policiais.  Os testes forenses, ainda não estavam concluídos. Só depois de suas conclusões, se veria como agir. Como começar,  e por quem.Vem ao papá! Murmurava Miranda, dirigindo-se para a carrinha . Um sorriso em seus lábios, davam-lhe, entre quem o observava, um ar nada coincidente com o espetáculo macabro que se verificava.Parece que gostas do que vistes. Comentou seu agente que conduzia. Deixa-te de merdas, e vê lá se trabalhas. Replicou Miranda, passando sua mão no risco que tinha debaixo do nariz.

 

Era quarta feira. Paulo a caminho de mais uma vigilância  dum marido alegadamente infiel, pensava começar seu preâmbulo pelas famílias devastadas pelas mortes ocorridas a  dois anos.Já está na hora de as encarar. Pensava estacionando seu carro junto da oficina deIgor . Antes passara pela pastelaria de Sandra, dando-lhe uns beijos para o caminho. Trouxera o gosto de sua língua em sua boca. Saiu do carro, andando a medo em direção a oficina. A porta estava entreaberta. Lá dentro avistou inúmeros esqueletos  de motocicletas. Ouvia um matraquear dum martelo malhando em ferro. Aproximando-se, viu Igor numa banca em frente a um motor aberto. Como estásIgor . O rapaz assustou-se deixando cair o martelo. Virou-se, vendo Paulo de mão estendida em sua direção. Sua cara apresentava sujidade de óleo. Passou seu antebraço na testa, não dando importância a mão de Paulo que continuava estendida. Frente a frente, olha Paulo com despreso, dizendo-lhe. Vieste me dar os sentimentos? Não sejas assim. Retruque Paulo baixando a mão. Como deves perceber, eu também fui visado. Perdi  minha mulher e filho.Igor , visivelmente agastado, coloca suas mãos no macacão, virando-lhe as costas sem pronunciar palavra. Não gostando da criancice, Paulo mete-lhe sua mão no ombro, fazendo-o se virar. Que queres, merda ? Respondeu-lheele . Eu fiquei muito abalado com a morte de teu irmão. Ele também era meu amigo! Nervoso, Igor dirige-se aos fundos da oficina, tirando uma cerveja do frigorifico. Quando se voltou para Paulo, constata que ele chorava. Não te vale nada chorar. Já morreu! Gritou-lheIgor .Não fora a tua estúpida história de fazer justiça, agora ele bebia comigo uma cerveja. Bebo eu. Disse-lhe Paulo estendendo sua mão, retirando-lhe  a cerveja. O  rapaz, baixou sua cabeça, deixando cair algumas lágrimas. Paulo, mais uma vez coloca sua mão no ombro deIgor, que põe a sua sobre a dele. Peço-te perdão por o sucedido. Declarou Paulo. Não precisas pedir nada. Eu estava junto convosco  na bendita empreitada. Surpreso, Paulo perguta-lhe. Como assim?Meu irmão como deves saber muito bem, contava-me tudo. Fiquei a saber de vossos planos todos. Paulo surpreendeu-se que José contasse tudo a seu irmão. Paulo ficou a saber das dificuldades de Igor , Pois, ele lhe disse-lhe que Quase ninguém coloca motos para concertar.Deixou seu número, pedindo-lhe que ele mais tarde o procurasse. Precisava dum ajudante em seu negócio. Os pedidos de trabalho sucediam-se, não podendo ele fazer tudo sozinho.Igor  seria uma espece de secretário.Tratava dos telefonemas, enquanto ele andava pela cidade atrás das mulheres e homens desconfiados de seus cônjuges. Sabe que Igor provavelmente não o procurará,mas, deixou o convite. Reparou que ele mostrava ódio em seu olhar, e uma vontade inequívoca de vingança.Uma tarde atribulada para Paulo. Vizitou a família de Fábio, moradores no bairro alto. Fora quase escorraçado apontapé. Seu irmão Pedro, homem do circo, não aceitou sua presença. Não fora o resto da família o deter, seu número circense, era posto em prática. Desta vez, as facas, não se destinavam a rebentar os balões que ladeavam a bonita moça presa numa roda, mas sim, o peito de Paulo.Mais uma vez, foi ele o culpado por tudo. Não imaginava que seu plano secreto, havia sido tão divulgado.Essa tarde fora muito difícil. Todas as famílias queriam vingança, e todos prometeram que o faziam. Carlos foi lembrado a Paulo, por seu mano lavado em lágrimas, mas muito revoltado. Não tão agressivo como os precedentes, mas também prometendo troco aos que julgava estarem por detrás do sucedido .Quanto a dona Lurdes, tudo foi mais difícil. Paulo soube que dera-lhe um a.v.c,ficando presa para sempre a uma cama. Não deixou de a vizitar. Manuel foi relembrado, entre olhares de Paulo e de dona Lurdes.Ambos choraram, deixando o ex polícia de coração partido. Fizera o que prometera. Todos o viram, culpando-o de tudo como ele esperava. Tinha de ser feito. Agora depois dessa tarde angustiadora, a vingança de Paulo reavivara-se. Surpreendentemente, ficou a saber que todos conheciam Russo e sua matilha de  ladrões e traficantes. Ele não era o único a querer tirar a fala ao bandido. Russo provavelmente, tem seus passos contados.Quem mais teria interesse em liquidar os policiais? Era contra eles que o exérsito estava a ser formado. Alguém, pensa Paulo, deve ter bufado a constituição do mesmo. Mesmo sabendo que Fábio fora o delator de certas rusgas, para ele alguém entre Russo, e sua esquadra, está a jobar alto. Fábio fora uma vítima de sua ambição desmedida. Um jogo perigoso, que mais tarde pagou com a própria vida. Mas Fábio não morreu as mãos de Russo. Outro personagem e mais maquiavélico desejava que Paulo sofresse.Tudo fora planeado ao  milímetro. O dia que se mostraria como arqui-inimigo a Paulo, estava para breve.

No fim da tarde, já esperando por Sandra,Paulo colocava sua mãe a par de seu dia. Sandra deixara Eduardo na pastelaria, saindo com Paulo a jantar. Hoje mais uma vez, queria fazer amor com ele. Depois do jantar, Paulo convidou-a a dançar um pouco numa discoteca. Sandra alegrou-se muito. Adorava dançar. Filipe era um pé de chumbo. Paulo já estava a par do que ele lhe fizera. Sua reação foi no mínimo estranha para Sandra. o desinteresse mostrado, deixou-a um pouco surpreendida. Limitou-se a lhe dizer, que fosse a polícia. Tudo bem,vou fazer isso. Respondeu-lhe ela. Pensando bem, ele nada tem haver com seu passado. Quando lhe contou, desejava mesmo que ele desse um corretivo a Filipe.Mas quando refletiu melhor, verificou que seria bom não o evolver.

Nessa noite, dançaram até seus pés doerem. Por volta das duas da manhã, Paulo levou Sandra para seu apartamento. <fizeram amor repetidas vezes. Fatigados, deixaram-se adormecer. Sandra intrigou-se, quando quase manhã, quando se levantou a fim de beber um copo de água, repara que Paulo saíra. Voltou para a cama, mas não dormiumais.

 

Subitamente, a eletricidade foi abaixo. Os vigilantes sem acesso as cambras , preocuparam-se, pois mesmo que falte na rede pública, o gerador disparava automaticamente.Olhando um para o outro, resoveu um ir a parte de trás da mansão onde se situava o gerador, enquanto um, permaneceu na entrada principal. Ouvindo um barulho junto do portão. Liga sua lanterna, averiguando  que se passava.O gorila, ouve o som cadavez mais próximo do portão. Porvavelmente um cachorro, pensou ele, colocando sua cabeça junto do gradeado . Como um relâmpago , um braço negro, circulou seu pescoço, sentindo uma lâmina fria trespassar sua goela. O olhos do homem, arregalaram-se de pânico. O sangue começou a esguichar  com intensidade. As chaves foram lhes retiradas antes de seu corpo inerte caiu no chão. O portão logo após se abriu, entrando um vulto com roupas   negras, com um chapéude grandes abas. A loira voluptuosa , snifava coca em cima do cotocador do quarto. Russo dromia em sua ostentosa cama.  Alheio e exausto deixou-se adormecer. Aproveitando que dormia, a bela rapariga

, descobriunos bolsos de Russo um pequeno saco com várias gramas de coca.

 

Agora ainda nua, deleitava-se com seu achado. Sabe que ele sempre tem um mimo para ela. Como havia consumido sua porção durante o dia, não.contava com tamanha surpresa. Mesmo só com as luzes de imergência ligadas, consumia sem preocupação. Sempre que faz sexo, ele adormece logo de seguida. Problema dos homens. esforçam-se muito, não aguentando o tranco. Seu corpo estava a ser evadido por belas sensações. Seu nariz pingava de repetidamente o esforçar.

Nas traseiras, o segurança que averiguava o gerador, jazia ao lado da máquina, com sua garganta cortada até a espinha. Uma sombra semovimentava, qual fantasma. Lentamente, e após ter morto os três cães, que não paravam de latir, subia pelas escadas externas que haveriam de dar, ao quarto ambicionado. O cortinado fora imperceptivelmente arredado, vendo-se uma bonita moça, a meia luz, cruvada sobre uma mesa, que neste caso era o tocador.O  fantasma, permaneceu de trás da miúda olhando-a. Incrustada ao tampo, não dera pela presença do assaltante. Surpreendentemente  o vulto, não lhe fizera nada. Deixou que ela consumisse a vontade, acabado o acto, retirou um lenço preto do bolso, com rapidez, colocou-o no nariz da moça, que dormiu quase de imediato.Tudo fora feito, sem Russo dar por nada. Dormia profundamente, enquanto o seu maior pesadelo, preparava seu castigo. Junto da cabeceira onde dormia Russo, apareceu na mão do disfarçado visitante, uma enorme faca de mato.  Seus olhos deitavam chispas.  Dormindo o seu último sono,deitado de peito para cima, estava pronto para sofrer golpes até a morte. As duas mãos seguravam a faca no alto de sua cabeça, disparando com sua maxima força uma estocada no centro do peito de Russo. Seus olhos apavorados abriram, vendo o homem que lhe tinha causado tantos dessabores ultimamente.Com a faca cravada em seu peito, ainda restou-lhe forças para levar suas mãos ao punho. Tu! Gritou momentaniamente Russo, sendo de imediato calado por uma navalhada na garganta. O sangue regava toda a cama com abundância.Seu corpo regado por gasolina, tinha espasmos, fazendo tremer o colchão.   Por fim, já sem vida, o fantasma, tratou de carregar a loira para local seguro, e ateou o fogo. As chamas eram visíveis a quilómetros de distância. Um espetáculo infernal, dava uma visão esplêndidaao enigmático e misterioso personagem.No alto da colina,  seu ssorriso mostravam sua imensa felicidade. O céu alaranjado, dava uma beleza assustadora a madrugada.Dum ponto dominante sobre a cidade, avistava as luzes dos bombeiros, com suas sirenes piscando parecendo pirilampos correndo dum lado para o outro. Mais uma vez sorriu, desaparecendo tão subitamente como  surgira.

 

Não vi nada juro. A loira logo pela manhã, era questionada por Miranda, sendo acordado, ainda o fogo estava no clímax.A rapariga de olhar confuso, estava sentada na carrinha da plícia. Fora encontrada embrulhada num cobertor junto do portão. Não vale a pena. Indagou Miranda esfregando o queixo.Preciso urgentemente dum café! Gritou para os outros policiais que vasculhavam os arredores da mansão. Os paramédicos saíam dos escombros com uma maca, carregando o corpo de Russo, coberto por um lençol branco.Nada chefe, disse um policial chegando junto de Miranda, que andava dum lado para o outro na estrada, parecendo um tigre na jaula.Já sabiam dos resultados das perícias forenses. Nada de concreto. Uns cabelos , que estudados, concluíram que se tratava de pelo de cão.Miranda, preparava-se para encostar Paulo a parede. Só uma pessoa conhecedora de todos os detalhes, poderia ter tanta minúcia  em seus atos criminosos.Vai ser um longo dia. Pensou Miranda, mandando todos para a carrinha. Eles alí não faziam falta. O resto seria com a judiciária. Precisava tomar um banho, e vestir roupa digna dum polícia.Para no próximo café. Ordenou Miranda para o condutor. A moça encontrada, seria entregue a uma associação  que cuidasse dela. Uma boa desintoxicação fazia-lhe bem.

Eles na esquadra, tratariam desseassunto.Agora um café! Gritou Miranda no interior da carrinha. Calma chefe. Retorquiu o condutor,  Acelerando mais ainda.A calvície de Miranda, gotejava de transpiração, não pelo calor, mas por sua preocupação. O inexplicável  assassino, mostra-se muito ágil em suas investidas. Não pode ser outro. Exclamou Miranda em voz alta. Todos o olharam na carrinha. Já sabe quem é  chefe? Perguntou um guarda. Quase de certeza. Respondeu ele. Mas só vos digo quando eu tiver a certeza absoluta. Concluiu ele, pedindo que acelerasse mais a traquitana. 

 

Onde te meteste ? Paulo entrara a pouco em casa, trazendo na mão um saco com alguns bolos. <fui dar uma volta por aí. Estava sem sono, Concluiu.Sandra dera por falta a meio da noite, ficando preocupada. De madrugada? Sim, respondeu ele. Não sabia que tinhas esse hábito.Não tenho. Retruque Paulo colocando sobre a mesa o saco. O que é isso que tens na mão? Um pequeno corte. Disse-lhe ele dirigindo-se a casa de banho.Dói-te? Não. É só um arranhão feito por  um gato abandonado que encontrei.Lavou as mãos, voltando para perto de Sandra. Ela estava só de cuequinhas, com uma camisa dele tampando-lhe a parte de cima. Ficas mais bonita sem essa camisola. Achas? Respondeu-lhe tirando-a. Seus grandes seios, balançavam a medida que ela desafiadora e provocante,agarrava-o pelo pescoço, saltando para seu colo, envolvendo sua cintura  com suas pernas. Os botões de sua camisa, foram despregados, quando ela com um esticão retirou sua camisa.Caíram sobre a cama, fazendo amor mais uma vez. Depois de seus corpos cansados, mas satesfeitos, tomavam um duche juntos lavando-se mutuamente. Conversavam sobre seu relacionamento, do futuro que queriam para os dois, recebendo ela a notícia que iria de fim de semana a casa dos pais de Paulo.com algumas reservas, lá aceitou. Tomaram o pequeno almoço em harmonia, nunca ritirando seus olhos um do outro. Sandra sentia-se tão bem, que só desejava estar só do lado de Paulo. Ele aparecera em sua vida, tornando-a mais colorida, e com sentido. Com Filipe, era tudo tão superficial. Umas quecas de vez enquanto, uns beijos. Umas idas ao cinema, não passavam dessa rotina. Quanto a relação, tudo era mais frio. Não havia uma troca de palavras carinhosas, não existia partilha de segredos, uma verdadeira duplicidade enganadora.Com Paulo não. Ainda não completara uma semana, mas seu coração dis-lhe que ele é totalmente distinto de Filipe. Na forma, e no conteúdo. Como sempre Sandra ligara a televisão, vendo e  ouvindo mais uma vezas notícias que ultimamente se tornavam familiares. O mesmo assassino misterioso, andava a espalhar o medo pela cidade. Todos os meios estavam mobilizados na caça ao fantasma da noite. Nome atribuído pelos jornalistas. Paulo veio  da casa de banho, observando Sandra compenetrada no visor da tv. Que se passa? Não me digas que não sabes o que se passa em Lisboa. Porquê? Devia saber? Respondeu Paulo, ainda em tronco nu.Enquanto se secava, Sandra desliga a tv, encaminhando-se para acasa de banho, onde Paulo se vestia. Por momentos, Sandra enlaça-se    em Paulo, beijando seu peito peludo. Não vamos começar de novo, pois não princesa? Pergunta-lhe Paulo, ficando estimulado pelo corpo de Sandra. Não, não podemos. Concluiu ela, separando-se dele.

 

Numa das avinidas mais importantes de Lisboa, Miranda estacionou seu carro, junto dum prédio todo invidraçado mostrando toda sua impetuosidade. Olá, deu ele, já vestido convenientemente. Um fato cinzendo muito bem tratado, seu bigode insignificante,  sua careca reluzente, davam-lhe um ar de empresário. O segurança conhecendo-o a muito, limitou-se a lhe abrir o elevador. Subiu até ao último andar, enquanto no ascensor,concertava sua gravata lilás.  Quando chegou ao décimo segundo andar, já o esperava um homem de cor, com    cara de poucos amigos. Deve ser novo. Constata Miranda olhando de alto a baixo. Porra, onde ele foi encantar este pinheiro? Meditava , enquanto era encaminhado ao gabinete dodono daquilo tudo. A actividade nos corredores decorados por uma alcatifa azul marinho, era muito presente. Finalmente chegou sempre flanqueado  pelo segurança. Uma bonita rapariga, com seus cabelos loiros e muito simpática, concertou seus óculos, perguntando-lhe quem era. Ouviu-se uma voz de trovão informando-a que o dr. Sabia muito bemquem era.

Llevantou-se, passou suas mãos ligeiramente pelasaia preta, ficou ereta junto da porta, e bateu.<recebendo permissão para fazer entrar o policial, ficou firme junto da porta, dando passagem a Miranda. O gabinete ostentava um luxo de veras impressionante. Os tapetes importados, as paredes com quadros de pintores famosos, condiziam  com a enorme secretária, cor de marfim.  . No canto notava-se um pequeno bar, com a mesma tonalidade. Um homem de porte ilustre, dirigiu-se a miranda, apertando sua mão. Senta-te meu caro.Como vais? Perguntou Miranda cruzando suas pernas. Sem responder diretamente, Miranda recebe da boca do empresário, um jacto de obscenidades. Mas que caralho andas tu a fazer. Não estou a gostar nada daquilo que oiço. Calma aí migalha. Respondeu Miranda, levantando-se, e não gostando do tom, recalcitra. Seus olhos pretos, estavam semiabertos  mostrando raiva retida de dias. Raul Soares, natural de porto rico e vivendo em Portugal a mais de 20 anos, nunca tivera tanta preocupação.  Merda Miranda, que se passa contigo? Não consegues dar conta do recado?Miranda, mantém-se de pé, respondendo enquanto no pequeno bar enche 2 copos.

Eu tenho quase a certeza que sei quem anda a fomentar isto tudo. Diz-lhe Miranda, entregando-lhe um dos copos. Concertando seu rabo de cavalo louro , Raul,interessa-se, pedindo que ele desenvolva. Lembras-te de a 2 anos terem morrido 4 polícias? Sim sei. Lembrou-se migalha. Um deles, jurou junto das chamas, que se vingaria pela morte de sua família e amigos.Quem? O Paulo Magalhães. Mas esse não era teu amigo? E que tem nossa organização haver com essas mortes. Intrigou-se Raul.  Miranda agitadamente circulava em volta da secretária, sendo perseguido por migalha, que não lhe tirava os olhos. Uma enorme confusão. Como assim. Pergutou Raul. Eu sabia que Paulo e seus homens estavam a preparar umas ações a revelia  dos regolamentos da guarda.Era uma espece de exército silencioso. Elucida  Miranda.Bem, trabalhavam pela calada, acoberto de seu chefe, que neste caso é Paulo. Quem matou seus colegas? Pergutou Raul confuso com a história de Miranda.Não sei, só sei que um deles dava-me informações. Mas esse também se foi. Então porquê nós?Provavelmente porque Paulo nos perseguia, preparando-se para dar cabo de alguns grupos que tínhamos espalhados por nossos pontos de venda.Tudo isso eu sei, porque Fábio mo disse.Raul dono duma cadeia de supermercados, com mais de cem espalhados pelo país, Ainda tentava perceber a narrativa de Miranda. Pagava-o a peso de ouro, só para ele assegurar que suas encomentas não recebiam nenhuma espece de inspecção, migalha desembolsava uma pequena fortuna.  Vivendo muito além  dum salário dum mero chefe de esquadra, Miranda é um vencido desde que sua esposa se entregara a Paulo. Lembrava-se com detalhe do dia . Paulo e ele, então muito amigos, andavam na academia de Polícia, quando ele se enamorou por Marta, que trabalhava no Chopin que ficava duas ruas abaixo.Era a mulher de sua vida. Pensava constituirfamília, mas ela colocou-lhe um par de cornos. Nesse dia, que apanhando-os beijando-se no jardim lá próximo, que sua vida ficou sem sentido. Paulo com seu jeito verdadeiro, contou-lhe o sucedido. Miranda desfarçou, mas seu coração encheu-se de ódio por ele. Jurou que sua vingança seria servida numa salva   de prata.Seus desejos, como se esfumaramcom o casamento dos dois. Nunca deu a entender a Paulo, que sua raiva seria um estorvo a sua amizade com ele. Não dando relevância ao facto, fez Paulo acreditar na sua boa-fé. Mas seu coração, transtornado, jamais se esquecerá do que ele o tornou. Um homem frio e ambicioso, fazem dele, uma bárbara criatura.Agora tem a faca  e o queijo na mão. Não fora por acaso que mandou matar todos aqueles que se diziam mais próximos dele.O dia avizinha-se, que os dois cara a cara, vão prestar contas. Por agora, espera que ele caia em desgraça, e cometa um erro. Sabe que ele anda armado.Os tipos que a seu mando simularam um assalto, confirmaram o que suspeitava. Armado e bem armado.

Quando saiu do prédio, sua firme decisão em tornar a vida de Paulo um inferno, davam-lhe força para viver.Tem muito por onde começar. A bonitinha que com ele anda, também pode ser muito útil, se por alguma coisa seus planos meterem água. Nunca pensara que Paulo se tornasse num assassino tão cruel. O modo que mata as vítimas, mostra toda a sua cede de vingança. Ele também a tem. Chegará o dia que os dois se defrontarão. Miranda ambiciona com ímpeto o dia que ele pensa estar próximo.  Já havia espalhado muito sangue. Esperava que Paulo se deleitasse com a vingança, para por fim lhe dar o golpe fatal.

 

Sandra visitou a herdade dos pais de Paulo.Perfumada pelos  pinheiros,foi  fustigada  o seu rosto, por uma brisa suave existente nos campos. A

herdade de senhor Luís, situava-se num pequeno parque plantado de

pinheiros,chaparros e vinhas. Em frente da casa e a todo o seu

comprimento corria um canteiro de flores. Os prados e

pastagens, no horizonte, desembocavam numa

floresta que também fazia parte da propriedade.

     Quando Luístomou conta da herdade,

enfrentou graves dificuldades. As mudanças que

se operavam na agricultura impunham a especialização num

determinado tipo de cultura e Luís investira toda a sua

energia e saber naquela tarefa. Tinha feito uma escolha que só

raramente lamentava e quando se sentia mais desanimado,

embora tivesse abandonado os estudos para se dedicar à

propriedade, nunca se arrependeu.

     Os resultados tinham sido encorajadores.

Amava a herdade e sentia-se feliz ali, o que nunca acontecera

Commãe de Paulo. O marido pensava,

então, que a sua perpétua insatisfação terminaria

quando nascesse a criança. Embora não viesse de

um ambiente abastado, nada estava bem para Luísae dizia

mal de tudo e de todos. e, para cúmulo, aborrecia-se no campo.

     Chegou entretanto o dia fatal: pouco tempo

antes do nascimento do bebé, Luís, fosse rapaz ou rapariga,

pouco importava. Naquele dia,

Luísa anunciou ao marido que o filho não seria agricultor como eles. Fazendo-o prometer junto da cama na maternidade que o fazia.Luís, amando Luísa, ainda fez uns reparos, mas acabou por aceitar. Mas tudo isso fora no passado. A mãe de Paulo, conformara-se, até por fim começar a gostar de viver no campo. Já seu marido, esse, sente-se como peixe no mar. Dedicou-se a sua herdade de corpo e alma. Embora prometesse a Luísa que não incutiria seus desejos na criança, nunca totalmente conformado, pela calada, lá tentava persuadir Paulo a escolher o campo. Luísa, conhecedora de seu marido, tratou da educação de Paulo,desfiava-o  sempre que podia, das investidas de seu pai.Por fim vencera. Não seria bem o que desejava, mas sempre é melhor que sujar as mãos na terra! Dizia-lhe sempre.Paulo apaixonado por filmes policiais, quando teve oportunidade, e já maior, enveredou pela guarda.Luísa ao início, debateu-se contra, mas Paulo estava decidido.

 

Sabe tão bem. Comentou Sandra sentada com Paulo no pórtico da vivenda.Despidos de formalidades, e do corrupio de Lisboa, os dois divertiam-se como adolescentes.  Paulo pela manhã, tentara que <sandra conhecesse a extensão da herdade. Ainda arreou dois cavalos, mas Sandra assustada pelos soberbos animais,desistiu. Fariam com mais calma tudo de novo. O que tinham de mais, era tempo.Sua relação, vinha a se consolidar dia após dia. Marta, lentamente desocupava a mente de Paulo. Seu filho não.Inúmeras fezes, Paulo, na escuridão de seu quarto, quando Sandra dormia, sofria com a falta de Ivo.Antes de viajarem para o campo, Paulo fez questão de visitar Filipe. Não lhe foi difícil descobrir onde trabalhava. Um dia, após fazerem amor, e Sandra tomava um banho, seu telemóvel tocou, constatando ele, que o menino mimado, mandara uma mensagem para um encontro, no local

Lá escrito.Voltou a colocar o aparelho no sítio, e mais tarde, desculpou-se a Sandra, indo ele ao bendito encontro.Esperou por ele no jardim indicado, assombrando o rapaz ornamentado de homem. Mal ele o avistou, tarde de mais. O pequeno jardim, escolhido por ele, por certo para ameaças a Sandra, fora seu próprio castigo. Iniciando o dialgo brandamente, Paulo certificou-se que ninguém os incomodava, mesmo que Filipe procurasse com os olhos alguém nas imediações, antevendo  o que veio a constatar.Paulo obrigava-o a pedir desculpas em pessoa a Sandra. Aquela puta? Nunca.disse-lhe ele. Vendo que sua arrogância era maior que seu medo, Paulo provido de nojo por ele, apertou sua garganta com tamanha força, que o rapaz sem ar, foi enfraquecendo dos joelhos, até ficar prostrado. Inanimado, Paulo deitou-o num banco de jardim, cobrindo-o com jornais velhos, que foi buscar ao caixote do lixo ali próximo.Mesmo que alguém lá passasse, Filipe por certo, seria confundido com mais um sem abrigo.

Dona Luísa, gostou muito de Sandra, e de sua divertida forma de ser.Com algumas reticências, concordou e até apoiou  o relacionamento. O pai de Paulo, fora mais incisivo nas questões colocadas a Sandra. Gostava de saber donde veio, quem era sua família, bem, fez Paulo se passar com sua atitude.Mais tarde pediu desculpa a moça. Não era minha intensão a magoar menina. Não quero que meu filho sofra mais. Disse-lhe ele um pouco envergonhado,  diante de paulo.O fim de semana, não terminou, sem Paulo colocar Sandra na garupa dum cavalo. Pouco a pouco, e com muitas e repetidas voltas, Sandra começou a se sentir a vontade no dorso dum equino.No derradeiro dia, os dois deambulando pela rasteira erva dos prados, quando o sol se punha no orizonte, o inesperado surgiu.Não queres ser minha secretária? Sandra, surpresa, salta-lhe passando seus longilíneos braços a volta do pescoço, beija-o  respondendo. Eu amo-te. Com suas bocas coladas, caíram sobre a húmida erva, rolando seus corpos sôfregos de desejo, e fizeram amor enquanto o sol com sua côr alanranjada, beijava os montes circundantes, no seu intemporal caminho de recolha.

 

Dois dias sem notícias de Paulo, estavam a por Miranda a beira dum ataque de nervosismo.  Onde merda ele se meteu? Matutava, esperando na esquina do prédio de Paulo por seu aparecimento.8 da manhã, ele já estava farto de avistar pessoas entrarem e saírem do imóvel.A pastelaria da moça, era guardada por dois homens concedidos por Raúl, no intuito de se resolver o mais rápido possível as mortes. Banana. Exclamou Miranda, quando fez o pedido para ele lhe ceder os rapazes. Nada dela também ConcluiuO policial,verificando que Sandra não dera de caras. Mas a onde? Interrogava-se ele,quando avistou  o carro de Paulo   desembocando fundo da estrada. Miranda protege-se com  a esquina. Porra! Quase sou apanhado. Exclamou Miranda.Observa-os  -os tirando do porta-malas, seus sacos de viajem. Abraçados, vê-os entrarem no prédio. Bolas, reflete ele. O gajo escolheu bem. Bem, que par de pernas! É pena que seja por pouco tempo, amiguinho. Segreda  Miranda deslocando-se para seu automóvel do outro lado da rua.

Viajaram de noite, evitando o tráfego de fim de semana. Era verão, e todos voltavam das pequenas férias.Depois de colocaremsuas bagagens no apartamento de Paulo, ambos saíram de novo, onde Miranda os esperava dentro de seu carro. Mal os avistou, seguios até o Saldanha. Viu entrar Sandra na pastelaria. Estacionou seu automóvel, dirigindo-se ao prédio onde Paulo trabalhava. Como está tudo por aqui meu querido. Perguntou Sandra sorridente. Eduardo, servia cafés aos clientes, com a rapidez possível. Não havia mãos a medir. Pela manhã, a pequena pastelaria, é invadida por pessoas, que sempre atrasadas, querem tudo para ontem. Sandra, vendo a actividade  vernética, de pronto colocou-se em frente da máquina de café, enquanto Eduardo servia ao balcão. Boa chefinha! Exclamou o rapazapercebendo que Sandra chegara com mais energia do que costumo. Ambos conversavam e serviam ao mesmo tempo. Fartei-me de ligar para ti chefinha. Eduardo sabe que Sandra não gosta que ele lhe chame de chefinha. Mas vendo que ela está muito bem inorada,   brinca com ela. Foram precisos, muitos minutos para as pessoas dispersarem, deixando a pastelaria fazia.Hufa!Já está. Comentou Eduardo, recolhendo as últimas chávenas das mesas.Colocano-as no lava loiça, em tom de brincadeira, pergunta a Sandra. Bem, tu hoje estás com uma energia que nem te digo. Que se passou amiga? Porquê dizes isso. Retorque Sandra. Caramba, o calmeirão anda a te fazer bem, Afirmou ele.

Estou feliz amigo. Disse-lhe ela. Pelo menos tem mais côr que o outro branquicela.Disse-lhe Eduardo sorrindo. O balcão ainda estava cheio de loiça. Já passavam das 10 e não tardava todos que tomaram o pequeno almoço, voltariam a fim de beber a bica após almoçarem.Enquanto Sandra confraternizava, Paulo recebera a visita de seu amigo Miranda. Tenho muito trabalho.  –Respondeu-lhe Paulo irritado. Miranda insistia  confrontando Paulo com as mortes ocorridas.Puxando uma cadeira,sentou-se em frente a Paulo, ordenando que os dois que o acompanhavam, o ladeassem.  Que se passa aqui? Perguntou-lhe Paulo olhando para os dois homens, que sem exteriorização de sentimentos, limitavam-se a olhar para Miranda esperando ordens.Passou sua mão pela careca, acendeu um cigarro, e levantou-se.Colocou seu pé direito sobre a cadeira, e olhando Paulo com seus olhos sequiosos de vingança, diz-lhe. Meu caro Paulo.Como deves calcular, não acredito que tenhas te ficado. Paulo fez um gesto para se levantar.  Sentindo de imediato  duas mãos nos seus ombros, travando seu desígnio.Seu espanto fora total, constatando que Miranda, além de o acusar dos crimes, usava força excessiva. Mas que raio se passa contigo? Perguntou-lhe Paulo encolerizado. Fazendo um gesto com a   cabeça, fez movimentar os dois homens. Paulo tinha sobre  a mesa,além de seu computador, uma pasta. Enquanto um carregou seu ombro para baixo, o outro encarregou-se de entregar a pasta a Miranda. Nunca esqueceste , pois não?Miranda olha Paulo, respondendo-lhe. Não sei do que falas. Só estou a fazer meu trabalho, remexendo na pasta. Vejamos. IndagouMirando, observando as inúmeras fotos no interior dum sobrescrito. Não te ensinaram que não se deve mexer em coisas secretas?

Comentou Paulo seguro pelos dois gorilas.As fotos mostravam as fachadas dos prédios queimados. Muito bem senhor Paulo. Como eu suspeitava. Isso não quer dizer nada. Respondeu-lhe Paulo. Pois não, disse-lhe Miranda atirando as fotos sobre a escrevaninha.Larguem-no . ordenou Miranda. Paulo de súbito levanta-se, chegando perto de miranda. Olhos nos olhos, Paulo pergunta-lhe. Nunca me perdoaste, eu sei. Vejo em teus olhos raiva. Miranda dissimuladamente, com uma atitude desafiadora, encostou seu nariz a  Paulo. Transpirando de ódio, responde-lhe. A partir de hoje tua vida será um inferno. Paulo recebe uma joelhada, curvando-se de imediato. Miranda salta para trás, jenquanto os dois homens, como já esperando o desfecho, sovampaulo até ele perder os sentidos. Sandra ainda os avista descendo escadas abaixo. Resovera avançar um dia, iniciando seu trabalho da parte da tarde como secretária.Pela cara dos tipos, algo estaria para a acontecer, ou já havia acontecido. Não sabe porquê, mas sentio-se de repente ansiosa. Qualquer coisa lhe dizia que aqueles mal encarados estiveram com Paulo.Correu escadas acima, abrindo a porta sem bater. Paulo estava prostrado e sangrando. Sandra gritou de susto. Meu deus! Paulo.Tanto seu nariz, como sua boca, escorriam sangue. Seu primeiro impulso, foi despir sua camisa, ficando somente de sutiã

. que importa que me vejam assim. Paulo meu deus! Lamentava-se Sandra tentando extinguir o fluxo .

Já a noite ia avançada, quando o médico comunicava a Sandra o estado de Paulo. Terá de ficar em observação menina. Inormou-lhe o jovem médico, com sua voz arrastada, visivelmente cansado.Antes de sair, Sandra visitou Paulo. Seu rosto estava entachado,seus olhos fechados, mostravam negridão. No seu braço esquerdo pousado ao longo da cama, um tubo saí-lhe transportando soro.

 

Miranda relatava a Raúl em sua imponente mansão, os últimos acontecimentos. É como te digo migalha. Aquele, sube a pouco, está todo partido. Liguei para o hospital, e confirmei eu mesmo.

O cão não parava de farejar Miranda, enquanto no sofá, coadjuvado dpor duas belas raparigas de côr, escutava , um pouco destraído , com as moças que não lhe paravam de beijarseu tronco nu. Em trajes menores, todos esperavam Miranda ir embora, para darem início a mais uma noite de orgias. Tudo bem Miranda. Respondia, detendo-se abraçado as raparigas, com apalpões mútuos.Bem, não estou aqui a fazer nada. Constatou Miranda. Só agora deste por isso? gracejouRaúl envolvido com as duas moças.Reteve-se breves segundos olhando para os 3, só depois,Miranda pediu que os seguranças do lado de fora da porta, o conduzissem a saída.Já passavam das duas da manhã.Olhos de Paulo abriram-se. Olhou ao seu redor, vendo que estava num pequeno quarto de hospital. Acabara de ter um pesadelo. Miranda surgia-lhe com seu rosto sujo de sangue, com  olhos vermelhos de fúria.Sanra era agarrada por dois homens, despindo-a, tentando a vilolar. Suas fotos estavam espalhadas pelo chão, sobre elas gotas de sangue.

O local era sombrio, e sombras desconformes pairavam entre Cebes com os rostos de seus colegas assassinados.Fez uma careta. Sua cabeça doía-lhe muito.

Mexeu seu braço, verificando que estava com soro. Merda. Disse ele puxando o braço. Tinha um pressentimento ruim. Miranda nunca se esquecera datraição de Marta. Tinha de o deter. Não estava a brincar. Paulo conhece-o bem. Miranda muitas vezes fora acusado de violência para com suspeitos.Recaindo sobre ele, dúvidas muito fortes, com seu modo de vida. A exteriorização de riqueza, intrigava o meio policial. Nada fora descoberto, mas das suspeitas não se livrava. Desde a morte de seus parentes,nunca mais falara com ele. Quando comandava a esquadra, telefonavam-se a miúdo.Ele sempre lhe parecera tranquilo, não mostrando agressividade fora do comum. Tentando-se levantar, gemeu de dor. Não posso ficar aqui. Sandra pode muito bem estar a correr perigo. Pensa Paulo, retirando a agulha que lhe prendia o soro. Já de pé, e um pouco desnorteado , encontra no pequeno guarda-fatos sua roupa ainda manchada de sangue.vestiu-se a custo, abrindo a porta suavemente, averiguando-se passava alguém no corredor escuro.Não vendo ninguém, escapuliu rapidamente. No elevador tirou as ligaduras que abarcavam sua cabeça. Os golpes eram bem profundos, dando-lhe doresquando os tocou. Seu nariz ainda mostrava o inchaço  bem notório.Não lhe foi difícil sair do hospital. Ninguém estava na portaria, e ele desapareceu entre os carro estacionados do lado de fora.Os hematomas em seu corpo, não lhe davam para se deslocar com agilidade. Levou sua mão ao bolso das calças, constatando a presença de sua carteira. Boa! Concluiu ele, fazendo sinal para um táxi.  Já era tarde, sua procupação era muita com Sandra. Miranda transpirava veneno. Não lhe daria tempo para agir. Os poucos carros, curzavam-se

Com ele, e sua cabeça parecia explodir. O taxista, não parava de o observar pelo retrovisor. Paulo mesmo cheio de dores, sorriu com ojeito assustado do homem. Não se preocupe amigo. Disse-lhe ele. Isto foi só uma guerra de família. Tudo bem. Respondeu-lhe o  motorista. Não deixe que elas vos batem amigo. Replicou ele. Não, isto foi um amigo de longa data. Porra! Com amigos desses, para que servem inimigos? Complementou o homem.

Aqui mesmo. Disse-lhe Paulo chegando perto do prédio de Sandra.

A mansão, qual fortaleza no alto da colina, era cercada por muros altos, com suas cambras vigiando segundo a segundo as imediações da mesma.No lado de dentro do portão, alguns seguranças com seus cães ferozes, procuravam algo de  suspeito. Os vigorosos homens, confiantes, asseguravam sem se esquecerem do mínimo detalhe, o que se passava no interior da ostentosa  casa. A   noite de orgia, terminara, e Raúl e as duas molatas, tomavam banho na piscina interna, alheios a que se estava iniciar.

Lisboa quase toda dormia, enquando uma sombra movimentava-se furtivamente da parte de trás da mansão de Raúl. Sua roupa negra, seu chapéu com grandes abas subiam no local antecipadamente verificado.  O arame farpado, fora cortado imperceptivalmente. Deslocando-se sobre o magestoso muro, a sombra, observava os seguranças de local seguro. Deixou que um deles mais seu enorme cão se aproximasse, encolhendo-se  no cimo da moralha, esperou pacientemente a chegada das vítimas. Por debaixo e bem visíveis, parou o segurança, apercebendo que o cachorro detetara algonas proximidades.O cão não parava de latir, encostando seu focinho ao muro. Calma cão. Ouviu lhe dizer o vulto. Não existe nada aqui. Complementa o grandalhão. Silenciosamente  a mão do fantasma movimenta-se, sendo tarde de mais para o segurança. Quando olha para cima, sua testa é atingida por um projétil furando-lhe a cabeça dum lado ao outro.Antes que o c´~ao fugisse, outra bala fora silenciosamente descarregada , ficando o cachorro caído do lado do homem.O abafador de imediato foi desemroscado e posto no bolso. Achando demorado seu colega, o outro vigilante, incita seu cão. Os dentes dele de pronto fazem-se mostrar, babando de raiva. Quase que o vigilante é arrastado pelo cachorro enraivecido. Mal avistou os corpos deitados, colocou sua mão no rádio que trazia a cintura, mas tarde de mais. Uma faca espetara-se em  suas costas, enquanto debatendo-se de pânico já estava o cão com a garganta cortada.O homem caiu de frente, aparecendo trancada em si, um cabo duma faca de mato.

Toda a luz fora desligada. Os 3 que se divertiam na piscina, alarmaram-se com o acontecimento. Ausentando-se das molatas, Raúl, mais conhecido no mundo do crime como Migalha, procura o intercomunicador junto do pequeno bar, adjacente a piscina. Constata que também está desligado. Nunca lhe acontecera tal coisa. Vem-lhe a memória as mortes de seus colaboradores

. Rápido! Gritou para as miúdas despidas. Fora da piscina, e já! O medo tomou conta de seu corpo, procurando sua pistola desesperadamente.As raparigas, num ápice saiíram da água, vestindo-se com celeridade. Migalha, vestira umas calças, correndo na grandiosa casa, rumo a seu quarto. A mim não cabrão,  Difamando nem sabendo quem, dirigindo-se aoandar superior.

A luz era tímida,e as sombras dos objetos, confundiam-se  com o negro pairar da morte. Finalmente em seu quarto, migalha, encontrou o que estava a procura. Sempre guardava uma perto de si, e desta vez esquecera-se de levar.

Só os candeeiros de imergência davam alguma claridade. Os passos eram bem audíveis. Raúl, como mágica, oiriçou todos os cabelos de seu corpo. Sentou-se na cama de pistola apontada para a porta. Leão, és tu?

Perguntou, quando a porta lentamente se abriu. Nem seu feroz cão escapara a vingança. O grandioso cachorro, ficara com suacabeça solta ao lado do resto.  O suor caía-lhe como um riacho descendo seu corpo. Seu longo cabelo esvoaçou, quando uma corrente fria de vento  açoitou seu rosto. Uma imagemsombria, surgiu a porta. Raúl, mordia seus lábios, até eles sangrarem.Segurou a pistola com as duas mãos, mas elas não lhe atendiam. Seu corpo inteiro saltava de susto, sua mente era evadida por imagens de morte, e o sabor de sangue vinha-lhe a boca. Quem és ? Perguntou e disparou a mesmo tempo. O vulto, olhou-o e aproximou-se. Raúl atirou-lhe a arma descarregada, que foi aparada pelo seu pesadelo. Os olhos do fantasma mostravam despreso. Seu longo casaco preto fora aberto, mostrando duas facas enormes nos seus respetivos suportes.Por favor, não me mates. Suplicou migalha, colocando-se de joelhos. Eu dou-te tudo que quiseres. Sua urina escorria pernas abaixo, e seu pavor era total. Sua covardia, não fazia juros a sua falsa fama. Todos o temiam  por ser implacável e desumano. Com um  pano preto, tapando-lhe a boca, e seus olhos destilando  ódio, tirando uma das facas, encaminhou-se para a porta. O coração de Raúl abrandou o ritmo, a medida que reparava que ele metera a mão ao puxador. Ergueu-se lentamente, e esperou que ele saísse. Apercebeu-se que havia deixado uma folha branca no tapete , quando fez o gesto  para apanhar, o o enigmático fantasma, dispara a faxca com tamanha precisão, alojando-se no peito de migalha que arregalou os olhos, segurando o punho da faca  com as duas mãos, em puro

Terror.Caiu de joelhos, enquanto a personagem malévola voltou para lhe aplicar o golpe fatal. As raparigas escondiam-se no outro quarto. Encaminhadas por ele, fugiram da casa apavoradas. Raúl Soares, separado o corpo da cabeça, repousava  em seu quarto com suas riquezas.O bilhete nada tinha escrito, além dos nomes das pessoas que haviam morrido as mãos de migalha e seus mandados.  Não queria que terminasse sua missão, sem que um deles, por sinal o cabecilha, subesse.Sua vingança terminara. Por fim, as pessoas quem ele mais amava poderão descansar em paz.

No alto da colina contrária a mansão de migalha, um vulto observava as grandiosas chamas consumirem,o que fora construído com o sofrimento de muitos jovens. Seus olhos brilhantes, refletiam o doce néctar da vingança. Algumas lágrimas, escorriam pelo seu rosto. A medida que caíam, bebe-as com comoção extrema. Permaneceu o tempo suficiente para ver os bombeiros reprimirem  as furiosas labaredas. A noite acelerava seu percurso, em aproximação, não tardava, iria dar  lugar a manhã, despertando Lisboa maravilhosa, para mais um dia.

 

Calma amiguinha. Sandra debatia-se contra os dois homens, que nas traseiras do automóvel, tentagam que parasse quieta. O carro deslocava-se a alta velocidade pelas avenidas de Lisboa, passando sinais vermelhos, levando buzinadelas do pouco trânsito existente.  O pisca estava ligado, prevenindo –os de dessabores. Os policiais que estavam de serviço nas ruas, constatavam que algo de urgente haveria. Aquele carro da guarda, deslocava-se mais rápido do que é normal. No seu interior, Sandra ainda de pijama, era levada para sítio incerto. Miranda recebera uma chamada, que o deixou muito intrigado. Seu chefe clandestino, estava reduzido a cinza. Mais tarde. Informou Miranda ao chamado . Merda! Estou com bandidos no carro. Não agora. Quando poder. Comunicou ele a central. Não percebia. Tudo indicava que fosse Paulo o autor da carnificina. Com ele no hospital, quem seria? Não interessa, pensou ele. Sua vingança particular, era mais importante. Paulo batia continuamente na porta de Sandra, mas nem sinal de vida. Suas suspeitas, estavam a se materializar. Procurou seu telemóvel  no bolso de seu sangrento casaco, procurando o número ultimamente pouco utilizado. Digitou aquele queum dia conhecera como ninguém, ouvindo a voz por si tão aguardada. Miranda! Onde está Sandra? Miranda sorriu do outro lado da linha, ouviu-se um barulho de fundo, escutando-se a voz de Sandra gritando seu nome. A voz do seu ex amigo, era tudo menos amigável. Lembras-te de Marta? Eu amava-a

De mais. Tu aportaste meu projeto de vida. Jamais te perdoarei.Sabes uma coisa? Continuou Miranda. Foi tão bonito ver tua casa a arder. Porquê amigo? Não me chames de amigo! Retorquiu Miranda. Estou a espera de ti nos armazéns abandonados da cp situados em cabo ruivo. Não faltes, se não, aqui a linda, por certo tem saudades tuas. Paulo conhecia os armazéns.  Uma vingança estúpida, era o que ele queria, vai  ter essa oportunidade! Pensou Paulo. Por favor não lhe faças mal. Pediu-lhe Paulo gritando.Apercebendo-se que falava alto, Paulo saiu para a rua, dirigindo-se arremessado por uma raiva sem precedentes. Sua fúria, levou-o a sua casa, armando-se  todo. Não podia mais comunicar com ele. Seu telemóvel fora destruído, quando  ouviu a confissão de Miranda. O entreposto estava abandonado. Nele, pensava Miranda, iria dar o início a sua figança. Os dois homens emprestados por Migalha, preparavam o ocal onde Sandra esperaria por Paulo. Ataram-na a uma cadeira, esperando que Paulo aparecesse. Como ele sabe onde fica isto . Perguntou um negro enorme. Ele sabe, respondeu Miranda. Tirou seu casaco, e na pequena sala dos fundos do armazém, esperou por Paulo. Iria ligar a ele após se estabelecer, mas Paulo prevendo tudo, antecipara-se a sua chamada. É rijo o gajo. Pensou Miranda, olhando para Sandra que se debatia amarrada a cadeira. Braço de prata, pensava Paulo, ao selembrar da voz de Sandra. Estacionou seu carro, dando início a sua busca. Miranda fez questão de ter luzes ligadas. Queria confrontá-lo corpo a corpo. Mas ainda ele teria de ver sua amada sofrer na pele sua ira. Não demorou que Paulo visse, luz num dos armazéns.Miranda mais os dois grandes africanos, esperavam-no impacientes.Sandra tremia, não com frio, mas de pavor. A porta abriu-se. Paulo surge a porta, vendo Sandra amarrada e amordaçada. Os olhos dela, arregalaram-se verificando que ele entrarasem medo algum. A final eras tu. Os olhos de Paulo fitaram-se nos dois capangas. As pistolas em suas mãos, preparavam-se

Para puxarem os gatilhos. Só um gesto teu, e lá se vai tudo amigo. Gracejou Miranda chegando-se perto de Sandra. Passou sua mão pelos seios de Sandra, sempre olhando Paulo. Muito boas! Não achas Paulo? Deixa-a. Quem tu queres sou eu. Respondeu-lhe Paulo, fazendo um gesto repentino. Sua perna direita de imediato foi atingida por um disparo. Paulo cruvou-se, colocando sua mão na ferida. Sandra movimentou-se na cadeira energicamente. 

Os dois matulões, seguraram  Paulo pelos braços, espancando-o na frente de Sandra, que impotente, limitava-se a verter lágrimas. Tão lindo, exclamou Miranda, levantando a cabeça de Paulo prostrada no chão, e de mãos seguras nas costas pelos dois homens.Subitamente, ouvem barulho perto do pequeno compartimento. Recebendo ordem, para verificar  que barulho esquisito e repentino era aquele, um dos negros, saiu . Um som abafado foi volvido. Tito! O negro não respondeu. Intrigado, o outro foi em sua busca. Passaram alguns segundos, o mesmo som. Miranda, prevendo problemas, comentou. Parece que temos companhia. Seu espertinho, comentou Miranda. Sempre foste espertinho, não é? Paulo levou um jchuto no rosto, enquanto seu outrora amig, puxava da pistola, para em definitivo por termo a sua longa  vingança. Bem vou terminar o que comecei. Aponta sua pistola a cabeça de Paulo. Bem camarada. São os teus últimos momentos.  No preciso momento que se preparava para puxar o gatilho, a porta abriu-se, e Miranda avista um homem todo vestido de negro, com duas facas nas mãos. Não teve tempo para mais nada. Como um flache, foi atingido por elas no pescoço. Cambaliou para trás, caindo de costas deitando sangue com abundância. O mascarado, soltou Sandra,que de imediato abraça-se a Paulo. Paulo ainda combalido, tenta se levantar. Uma luva preta agarra sua mão, e com uma força descomunal ergue-o.Seu rosto estava tapado por umlenço. Seu chapéu, cobria seus olhos. A luz no pequeno quarto, não lhes facultava divisar com precisão seu rosto. Tão velozmente, como apareceu, também se foi.

 

Eu conheço aqueles olhos.Comentou Paulo deitado na cama do hospital. Sandra também lá estava. Junto dele, e segurando sua mão, olhava-o com ternura. Não vejo a hora de sair daqui. DissePaulo agastado.

O quarto era de uma só cama. Ouvem bater a porta, surgindo de imediato sua mãe aos gritos.Adiantando-se a seu marido, veio se colocar junto de Paulo, enchendo-o de Perguntas e conselhos. Então filho. Perguntou seu pai, com seu olhar sempre benevolente. Sua mãe, não lhe dava espaço para estender sua mão a seu pai. Mãe posso? Perguntou ele a chorona mulher. Claro filho, respondeu assoando-se. Senhor Luís Magalhães, apertou bem forte a mão a seu único filho. Os dois ficaram-se olhando, rolando lágrimas rosto abaixo. Sandra passara a noite e o dia junto de Paulo. Sem dormir, precisava trocar de roupa, e quem sabe passar pelas brasas.

Umas horas depois, e já de banho tomado, Sandra abre sua porta.Dona Flor e senhor Joaquim, resolveram dar o nó. Queriam que Sandra fosse a madrinha. Fico tão feliz. Disse-lhe a moça, beijando-a com alegria. Não se esquecera de seus conselhos dona Flor. Muitas vezes, Sandra dava-lhe a entender  que sabia do relacionamento.Flor fingia não perceber, mas por fim cedeu as evidências. Depois dessa boa notícia, verificou seu correio, constatando que sua consulta estava próxima. Seu período, a muito que não chega. Não podia estar mais contente. Não tem mais duma semana, que conhece Paulo, mas parece-lhe que sempre ele esteve com ela. A química que os aproxima , é tão forte, que os atrai como um hímen. A certeza que está grávida, preenche-apor completo.O aparecimento de o gato de olhos verdes em sua vida, foi como Nobel, quando descobriu a dinamite.Uma felicidade que faz seu coração transbordar, apetecendo-lhe divulgá-la ao mundo inteiro.

Algum tempo se passou. Paulo casara-se com Sandra, e em comum acordo foram para o campo. A mãe de Paulo, resignadamostrou-se feliz por ter de volta seu querido filho. Fora a primeira a o apoiar na saída, mas derivado aos acontecimentos,  devende sua permanência junto deles. Sandra também vem agradando aos pais de Paulo. A impresa agricula, ficou a encargo do jovem casal. Umas férias foram tiradas por seus pais, deixando o casal e seu filho ressém nascido, aos comandos de tudo. Eduardo, fora lhe dado a transferência da pastelaria.Sandra alimentava por ele uma grande amizade. Eduardo alémdum óptimo empregado, era um amigo chegado. Sua mãe levara-o para lá, ainda era ele um puto. Não queria nada com escola. Por esse facto, sua mãe, então já falecida,colocou-o  ao encargo de dona Maria. Muito amigas, ela não pensou duas vezes. O que poderia ser mais um excluído da sociedade, veio a ser um homem responsável, e um excelente pai de família. Sandra sente-se muito feliz por ele, e sabe muito bem que sua pastelaria, ficará bem entregue.Ela por seu lado, delicia-se com os prados verdejantes do campo, onde as montanhas com suas magníficas vertentes, vijiam

Sua felicidade.

 

 

A noite caiu sobre Lisboa. A universal cidade, era envolta numa névoa. Quase noite, os seus habitantes, corriam dum lado para o outro. Uns saíam dos empregos, outros entravam. O corrupio   feito por suas afatigadas vidas,eram estorvados por os que não fazendo nada de útil, tentam abalar  o normal funcionamento dos que trabalham. O crime está no seu auge. Ninguém está seguro. Nem em suas casas, nem em suas viagens para os empregos. Uma guerra sem fim, em que os bons, não são suficientes, para vencer os praticantes do mal.

 

Numa das ruas da cidade, dos inúmeros bairros de Lisboa, são milhares de  esquinas escuras, que proporcionam oportunidades únicas para o crime se fazer notar.Numa dessas, uma pobre mulher, chegava de mais um dia longo. Na mão trazia o jantar já feito,  comprado num supermercado. Esperando-a, três gatunos, davam início a sua noite de crime. Seus pés doíam-lhe como nunca. Seu bamboleado andar, era visível. Rua  acima, é aguardada por uma quadrilha de rua. Os sorrisos eram evidentes. Afinal estavam prestes a desgraçar mais ainda a quem já vivia na desgraça. A infortunada mulher subiu o passeio contrário, mas foi de imediato barrada pelos três. Nem houve tempo para um grito. Sua boca, de maneira violenta, fora-lhe tapada. Sua avançada idade, suas forças no limite, faziam dela uma presa fácil. Não reagindo, esperou somente que eles a roubassem. As agressões e os impropérios,davam-se, sem o menos uma janela se abrir. Conformada, limitava-se a chorar. Tudo lhe fora furtado. Até seu jantar, que  ela com muito empenho, e dedicação levava para seu adoentado marido.  Até isso fora também saqueado. Quando se preparavam para zarparem, eis que são surpreendidos por um vulto.   Conscientes que um só homem nada poderia fazer, enfrentaram-no com a confiança que o clã propocionava. Sua longa capa negra dançando com o vento noturno,  davam-lhe um ar fantasmagórico. Usava seu chapéu negro de abas largas e uma viseira da mesma cor. Saíam chispas por seus olhos encolorizados. enfquanto era cercado     pelos meliantes manteve-se como paralizado.  Quem és tu, Perguntou um chegando-se  perto.  Deve ser o zorro, gracejou outro. No entanto, vendo que o estranho não reagia, os restantes   agiram de igual forma.  Vamos te partir os ossinhos todos.Contudo, exisste sempre alguém mais prudente.  Então um deles comenta: Isto é tudo muito esquizito, este gajo tem a morte nos olhos! Não sejas menina! Este não passa dum maluquinho armado em super-herói.  Ora, Num piscar de olhos,  quando pressentiu que iria ser atacado,  sacou de dois punhais  que agilmente se foram alojar no peito de dois meliantes. O terceiro, o tal mais cauteloso, antes que lhe acontecesse o mesmo

Correu rua acima.

Seu coração galopava como cem cavalos, o objectivo era atingir a esquina no cimo da rua, contudo mais ou menos a cinco passos de atingir a meta, caiu redondo com um punhal trancado nas costas. Até então estupfacta com que acabara de ver, a mulher viu que se aproximava e também temeu. A mão do estranho foi-lhe estendida e ela agarrou-a firmemente. Como se chama senhor? O vulto limitou-se a mirá-la, seus olhos luziam como dois diamantes, e divisava-se alguma tristeza entre tanto brilho.Uma moto deslocava-se com enorme velocidade entre as ruas estreitas dos bairros históricos de Lisboa. O som de seu motor, abrandou quando chegou junto dum portão que indicava ser a última estadia dos que um dia respiraram o ar que tanto bandidos como justos inalam. Uma veloz sombra subiu o muro e com destreza  embrenhou-se no cemitério.Percorrendo os túmulos daqueles que um dia sofreram as atrocidades de Miranda e seus comparsas, fez questão de deixar uma  mensagem para que e, quando voltasse a ser dia, fosse defundida pelos quatro cantos da cidade. O vulto  preparava-se para combater o crime!  Atenção senhores do mal. Um justiceiro chegou! Tremei pois. Onde houver deliquente, crime, eu lá estarei!

Ora, estas palavras ficaram bem visíveis nos muros que ladeavam o campo-santo. As televisões não deram relevância ao insólito caso, jornais, rádios e algumas revistas brincaram com o acontecimento.No entanto, alguém veio a terreiro informar que as últimas mortes que inesperadamente surgiram na noite lisboeta, tinham como cunho serem praticadas pelo mesmo protagonista.Todos os defuntos que morreram as suas mãos, tinham gravado no corpo três singelas Letras:          VLT.Algumas testemunhas descreveram-no como sendo ágil como um gato,  forte como um touro, preciso como um falcão.Vestia-se todo de negro. Sua capa tapava-lhe todo o corpo, o chapéu de abas largas dava-lhe um ar de fantasma. Matava suas presas a golpe de punhais, certeiro como um atirador olímpico!

Decorridos algumas semanas, tempo suficiente para que mais meia dúzia de bandidos fossem para os quintos do inferno, só nessa altura os órgãos de comunicação social deram relevância ao mítico personagem.  O Vulto começou a ser capa dos maiores jornais, notícia de abertura nos canais televisivos,enfim, um herói, um herói português!

 

Pragassa.