O cerco de Leningrado

A história da humanidade já foi marcada por várias guerras e conflitos. E uma das ocorrências mais abrangentes, ao longo do tempo, foi a Segunda Guerra Mundial, que durou de 1939 a 1945. Nesse conflito, as grandes potências se dividiram em duas alianças militares opostas, os Aliados e o o grupo chamado de Eixo. E assim como na maioria dos conflitos, armas e bombas foram usadas.

 

Várias coisas horríveis aconteceram nesse período. Como o cerco de 900 dias, ou conhecido como o cerco de Leningrado, que foi feito pelas forças do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Ele é considerado um dos mais longos e destrutivos bloqueios da história da guerra. Inclusive, alguns historiadores o classificam como um genocídio.

 

Durante o cerco, 1,4 milhão de pessoas foram evacuadas. Mas mesmo assim, aproximadamente, 1,5 milhão de milicianos e civis foram mortos. Sob as ordens de Hitler, a cidade soviética foi barricada e sofreu uma barragem diária de ataques das forças de artilharia alemã e finlandesa. Além de a água e comida da cidade terem sido cortadas, fazendo com que a fome extrema logo se tornasse uma norma.

 

O cerco de Leningrado começou no dia oito de setembro de 1941. E só foi terminar depois de dois anos, no dia 27 de janeiro de 1944. Os cidadãos de Leningrado sofreram com a fome, doenças e tortura psicológica. Depois de longos 872 dias, é que eles foram libertados. Mas depois desse período, a cidade de dois milhões tinha sido reduzida a cerca de 700 mil pessoas, que estavam com o psicológico abalado para sempre.

 

História

 

 

 

Depois de Hitler ter vencido a França com sucesso, ele estava ansioso para enfrentar a União Soviética. Os soviéticos tinham mantido uma posição no Oriente, por causa do grande número de tropas do Exército Vermelho, que estava sob seu comando, mesmo a maior parte dos homens sendo composta por membros inexperientes.

 

E para Hitler, os soviéticos estavam em um "espaço vital" para os alemães. E ele também queria continuar sua tirania racista e destruir a população judaica do lugar. E como estratégia para derrotar os soviéticos, Hitler lançou uma campanha extremista para invadir a União Soviética. Essa campanha ficou conhecida como Operação Barbarossa, como foi chamada pelo tirânico imperador romano Frederico I.

 

Cerca de 80% do exército da Alemanha foram enviadas para participar dessa invasão. Eles tinham uma ampla rede de ataques separados de três grandes cidades soviéticas: Leningrado, no norte, Moscou, no centro, e algumas cidades da Ucrânia, no sul. Acontece que os milhões de soldados e 23 mil tanques de Joseph Stalin não estavam preparados para enfrentar o ataque.

 

No verão de 1941, 500 mil soldados alemães avançaram em direção à cidade de Leningrado. Foi quando as tropas invadiram a segunda maior cidade soviética. E ao invés de assumir o controle, Hitler fez um bloqueio em torno de Leningrado, fazendo com que a cidade ficasse sem acesso ao mundo exterior.

 

Primeiros dias

 

 

 

As tropas alemãs estavam ansiosas para conquistar uma cidade soviética. E a ordem de apenas sitiar Leningrado, ao invés de incendiá-la, foi recebida com protesto. "As tropas estão gritando como uma 'queremos marchar para a frente!'", disse Joseph Goebbels, braço direito de Hitler, em seu diário.

 

A comunicação terrestre em Leningrado foi cortada quando a cidade foi bombardeada com ataques de artilharia todos os dias. Os alemães continuavam sitiando Leningrado e, em agosto, a última ferrovia que ligava a cidade com o mundo exterior, foi bloqueada.

 

Sofrimento

 

 

 

Meses depois de serem mantidos em cativeiro em suas próprias casas, as pessoas de Leningrado começaram a sofrer com a fome, pobreza e pela doença. E logo nas primeiras semanas do bloqueio, os cidadãos começaram a morrer de fome.

 

Os cidadãos mais essenciais, como os soldados por exemplo, recebiam a maior parte dos alimentos. A população vulnerável, como crianças, idosos e desempregados, infelizmente, não eram priorizados.

 

O primeiro inverno após o cerco de Leningrado foi horrível. As temperaturas caíram para abaixo de zero, e aqueles que tinham a sorte de ter um abrigo, se juntavam com sua família para se aquecer. Eles queimavam móveis e livros e depois eram forçados a dormir com seus mortos.

 

O desespero fez com que as pessoas fizessem o impensável. Algumas enganavam umas às outras e alguns vendiam seus corpos em troca de comida. O desespero de alguns foi tanto que até praticaram canibalismo.

O fim.

 

Em abril de 1942, a defesa soviética, que foi feita para romper o bloqueio alemão na frente de Leningrado, recebeu um novo comandante, Leonid Govorov. Por mais que as habilidades de liderança dele não fossem imediatamente aparentes na frente durante o cerco de Leningrado, os soldados começaram a respeitar seu brilho militar.

 

No dia 12 de janeiro de 1944, as defesas soviética finalmente perfuraram o cerco alemão e permitiram que mais suprimentos viessem pelo gelado Lago Ladoga. E depois de 872 dias vivendo na miséria, as pessoas de Leningrado foram libertadas, quando o cerco foi levantado e os alemães foram empurrados para o oeste. Só então, multidões comemoraram bebendo e dançando. Teve até mesmo uma exibição de fogos de artifício.